Anheuser retira oposição à aquisição pela InBev

Julie MacIntosh
Em Nova York

A Anheuser-Busch retirou na noite de sexta-feira (11) sua oposição a uma aquisição pela InBev, abrindo caminho para um acordo que criará a maior cervejaria do mundo dentro de alguns dias.

Os fabricantes belgo-brasileiros da Stella Artois pareciam ter vencido a oposição em seu esforço para garantir um acordo amigável, depois de aumentar sua oferta para US$ 70 por ação sexta-feira de manhã, dando aos fabricantes da cerveja Budweiser um capital em ações de US$ 50 bilhões.

As ações da Anheuser subiram 7,5% no pregão de Wall Street na metade do dia, atingindo o recorde de US$ 65,91, enquanto os investidores avaliavam a probabilidade de que o negócio possa ser assinado por um preço maior. Em Bruxelas, as ações da InBev subiram 7,36%, para 44,50 euros.

O novo preço é US$ 5 acima da oferta inicial de US$ 65 por ação, feita exatamente um mês atrás. A Anheuser se recusou a aceitar esse valor, e a batalha crescente entre as duas partes chegou recentemente aos tribunais dos EUA, onde a InBev moveu um processo para determinar se poderia remover o conselho administrativo da Anheuser sem causa, e esta processou sobre alegações que a InBev fez em seu pedido. As duas cervejarias - uma delas um lendário ícone americano, a outra o produto de uma fusão internacional em 2004 que desde então se tornou uma potência mundial - poderiam concordar com os termos restantes de um acordo ainda neste fim de semana, disse uma fonte interna.

Se combinadas, as companhias gerariam mais de US$ 36 bilhões em receitas, ao produzir 460 milhões de hectolitros de suas conhecidas cervejas, como Budweiser e Bud Light da Anheuser e Stella Artois, Bass e Hoegaarden da InBev.

Entre as questões ainda em discussão, porém, está como a InBev honraria os compromissos da Anheuser com seus funcionários e distribuidores, e se os executivos da Anheuser manteriam funções na companhia fundida.

A tensão entre as duas rivais se intensificou nas últimas semanas. A Anheuser rejeitou a oferta inicial da InBev como financeiramente inadequada e acelerou um programa de redução de custos que, segundo ela, aumentaria seus lucros e o preço da ação.

A InBev reagiu lançando um processo para remover todo o conselho administrativo da Anheuser, conquistando o apoio por escrito da maioria de seus acionistas.

Mas pessoas de ambos os lados disseram ao longo dessa saga que a Anheuser poderia achar que a melhor opção para seus acionistas seria insistir em um preço maior. A Anheuser, cuja ação ficou morna nos últimos cinco anos, era considerada relativamente indefesa contra a proposta hostil da InBev.

A Anheuser forçou a InBev em processos recentes a revelar mais detalhes sobre seus planos de financiamento, em uma época em que a força dos fundos de um negócio pode concluir ou romper uma transação. A InBev disse que um grupo de dez bancos globais se comprometeu a financiar sua proposta através de um pacote que inclui pelo menos US$ 40 bilhões em novas dívidas. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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