Uma abordagem de negócios para o produto político

Michael Skapinker

O que os negócios podem ensinar aos políticas a respeito de ética? Absolutamente nada, foi a resposta em uma recente discussão sobre o assunto. E quanto ao inverso: os políticos podem ensinar ao mundo dos negócios algo sobre ética? Não seja ridículo, foi a resposta.

O curioso foi que foram pessoas do mundo dos negócios que achavam que as empresas não podiam ensinar nada aos políticos. E foram os políticos que zombaram da idéia dos políticos ensinando algo ao mundo dos negócios.

Uma das pessoas em dúvida do lado dos negócios foi Liam Halligan, economista chefe da Prosperity Capital Management, que administra investimentos na Rússia e nos membros da ex-União Soviética. Apesar de concordar que "os negócios estão cheios de pessoas éticas realizando coisas éticas", ele apontou para os mercados de crédito, "atolados pela falta de confiança. Os bancos não confiam uns nos outros de que sejam capazes de fazer a coisa certa. A comunidade de negócios não está em posição de fazer pregação".

O painel de discussão, organizado pelo Instituto de Ética nos Negócios, KPMG e pela Editorial Intelligence, uma firma de análise de mídia, contava com apenas um político -Alan Duncan, o porta-voz de negócios e empreendimento do partido conservador- que tinha muito pouco de bom a dizer sobre os políticos.

Duncan, que já negociou petróleo, apontou as áreas onde os negócios eram superiores à política. Os negócios eram mais honestos em suas afirmações do que a política, ele disse. Compare um documento de uma empresa para listagem no mercado de ações, sujeito a investigação detalhada, com um manifesto eleitoral de um partido político. "O primeiro é um exercício de honestidade, o outro, com muita freqüência, um exercício de fraude", ele disse.

Não foi apenas na ética que Duncan achou que os negócios tinham vantagem. Veja o cuidado com que os conselhos diretores recrutam uma mistura de experiência, prosseguiu Duncan. O Parlamento britânico, em comparação, deriva cada vez mais de um campo cada vez mais estreito -na sua maioria pessoas do setor público e de relações públicas.

Os negócios estavam à frente no desenvolvimento de carreira. As empresas tentam casar a pessoa ao cargo. As posições ministeriais freqüentemente vão para políticos sem nenhuma experiência na área.

As carreiras na área de negócios se desenvolvem de uma forma mais coerente, disse Duncan. As pessoas realizaram um trabalho, foram bem-sucedidas e foram promovidas. Na política, não há hierarquia óbvia. As eleições afastam os políticos, os substituindo por novos inexperientes.

Os políticos também podiam aprender com os negócios como lançar um produto ou, no caso dos políticos, uma política. As empresas testam os produtos no mercado e avaliam a resposta dos consumidores. Por sua vez, disse Duncan: "A criação de uma lei é uma confusão. A atenção dada aos detalhes é execrável".

É justo comparar o lançamento de um produto com o trabalho legislativo? Certamente os processos são totalmente diferentes? As empresas de sucesso descobrem o que os clientes querem e dão isso a eles. Quando os gostos dos clientes mudam, as empresas também mudam. Se não mudam, elas fracassam.

É esperado que os políticos sejam diferentes. Aqueles que mudam suas políticas para agradar ao sentimento público parecem sem princípios. Os políticos mais admirados mantêm suas convicções, da forma como fizeram Ronald Reagan e Margaret Thatcher. "Político com convicção" é um elogio. Aqueles que ajustam suas políticas para se adequarem ao sentimento predominante são considerados como "indecisos".

Antes podia ser assim, mas os políticos mudaram, se tornando mais como homens de negócios. Tony Blair foi um grande praticante disso, usando grupos de foco para lhe dizer o que as pessoas queriam e então dar isso a elas.

Agora Barack Obama faz o mesmo, irritando seus simpatizantes com sua recente oposição ao controle de armas, apoio à pena de morte e imunidade para as companhias telefônicas que interceptaram comunicações.

Simpatizantes mais obstinados dizem para aqueles que se preocupam se acalmarem. Esta a forma como se vence eleições. Obama não tem intenção de ser um perdedor cheio de princípios.

Funcionou com Blair, que venceu três eleições consecutivas. (Como meu colega Gideon Rachman comentou: o Novo Trabalhismo foi mais bem-sucedido que a Nova Coca-Cola/New Coke.) De fato, foi apenas quando Blair colocou os princípios à frente da popularidade, ao entrar na guerra no Iraque, é que ele perdeu o público e seu partido.

Será que buscar se adaptar ao sentimento público funcionará com Obama? Dependerá dele ser capaz de manter o que atraiu os eleitores no princípio: seu frescor, sua articulação e, acima de tudo, sua promessa de uma nova abordagem para a vida política. Será que suas mudanças de política prejudicarão tudo isto?

Obama poderia olhar para a forma como as empresas lidam com mudanças. Elas mudam seus produtos, mas as bem-sucedidas o fazem mantendo ao mesmo tempo suas qualidades distintas.

O Wal-Mart antes se tratava simplesmente de preços baixos, até que Lee Scott, seu presidente-executivo, sentindo uma mudança no sentimento do consumidor, decidiu também tornar a empresa amiga do meio ambiente. Mas a oferta básica permaneceu a mesma: o Wal-Mart é o local onde ir para comprar uma grande variedade de produtos a baixo preço.

Você pode mudar, desde que se atenha ao que é essencial a você. Isto é algo que os políticos podem aprender com os negócios. George El Khouri Andolfato

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