Economias emergentes são advertidas sobre inflação

Krishna Guha em Washington e Geoff Dyer em Pequim

As economias emergentes devem fazer do combate à inflação sua "principal prioridade", disse nesta quinta-feira (17) o Fundo Monetário Internacional enquanto elevava acentuadamente sua previsão de aumentos de preços no mundo em desenvolvimento neste ano e no próximo.

Muitos mercados emergentes deveriam aumentar as taxas de juros, cortar os déficits públicos e deixar as moedas se valorizarem para conter o risco de inflação, aconselhou o FMI.

Os comentários foram feitos enquanto a China dava notícias mistas sobre seus esforços para combater a inflação.

A inflação dos preços ao consumidor continuou caindo - de 7,7% em maio para 7,1% no mês passado -, mas a industrial aumentou novamente de 8,2% para 8,8%.

Pequim informou que a economia cresceu 10,1% no segundo trimestre, contra 10,6% no primeiro, e foi o quarto trimestre consecutivo em que o crescimento do PIB desacelerou. O índice, ligeiramente abaixo das previsões dos analistas, foi o menor desde o último trimestre de 2005.

Simon Johnson, o economista chefe de saída do FMI, disse a repórteres que as economias emergentes, particularmente na Ásia, correm o risco de cair atrás da curva da inflação. O Brasil foi elogiado por tomar medidas para conter as pressões dos preços.

O FMI espera que a inflação atinja 9,1% no mundo emergente este ano e continue alta, em 7,4%, no próximo ano. O fundo também reviu sua previsão para a inflação no mundo industrializado, mas esta cairia mais rapidamente, de 3,4% este ano para 2,3% no próximo.

A advertência sobre a inflação veio enquanto o FMI revia sua previsão de crescimento para os EUA diante de um desempenho melhor que o esperado no primeiro semestre do ano. Mas afirmou que a economia americana provavelmente se contrairá no segundo semestre em meio a uma desaceleração geral do crescimento global.

O fundo espera que a contração se concentre nos últimos meses do ano, quando o estímulo fiscal das devoluções de impostos irá perder a força.

O FMI tem sido constantemente mais pessimista sobre o crescimento durante toda a crise de crédito do que a maioria dos governos e bancos centrais.

Para a maioria dos países, "a maior prioridade dos formuladores de políticas é afastar a pressão inflacionária ascendente enquanto mantêm em vista os riscos para o crescimento", disse o FMI.

"A economia global está em um lugar difícil, apanhada entre a demanda em franca desaceleração em muitas economias avançadas e o aumento da inflação em outras, notadamente nas economias emergentes e em desenvolvimento", disse Johnson na atualização da Previsão Econômica Mundial.

Os aumentos relativos maiores na inflação básica no mundo emergente foram um sinal de que o risco de a alta inflação se enraizar é maior lá.

No mundo industrializado, o aumento da inflação este ano deverá ser "revertido" em 2009. Mas "nos países emergentes e em desenvolvimento as pressões inflacionárias estão crescendo mais rapidamente". Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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