Massa levanta esperanças de "nova fase e nova equipe" para a presidente argentina

Jude Webber

Sergio Massa, o novo chefe de gabinete da Argentina, jovem e amigo da mídia, que tomou posse nesta quinta-feira (24), poderá ser um sopro de ar fresco para o governo combalido da presidente Cristina Kirchner, mas analistas políticos dizem que grandes mudanças são necessárias para restaurar a confiança pública no governo e enfrentar as crescentes preocupações econômicas.

O apoio popular a Cristina despencou de porcentagens na faixa de 55% em janeiro para 20% hoje, e com quase oito meses de governo ela não conseguiu sair da sombra de seu poderoso marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.

Alberto Fernández, que Massa substituiu, havia servido como chefe de gabinete desde 2003 sob Kirchner e era um dos mais íntimos assessores do casal presidencial. Julio Blanck, um importante comentarista, o chamava de "o motor do governo, que conhecia o funcionamento de cada parafuso e porca".

Fernández também era a face pública do governo, seu principal negociador e atirador. Sua saída deu à presidente a oportunidade de um recomeço depois da crescente decepção dos eleitores com seu estilo centralizador e uma revolta em seu próprio partido por causa de seus planos de aumentar as tarifas de exportações agrícolas.

"Cristina tem mais uma vez a oportunidade de seduzir as pessoas que votaram nela", disse a analista política e pesquisadora de opinião Graciela Romer.

Os pedidos de um estilo menos confrontador - de eleitores da classe média, figuras da oposição e um grupo de políticos dissidentes dentro do partido peronista, no governo - aumentaram desde que o projeto de lei de aumento de impostos foi derrotado no Senado na semana passada. O plano foi rejeitado depois que o vice-presidente Julio Cobos votou contra ele em um empate.

Os adversários também querem mais transparência, especialmente sobre a questão da inflação, depois de alegações generalizadas de que Guillermo Moreno, o secretário do Comércio, manipula os números há 18 meses. Muitos economistas vêem a inflação este ano de 25 a 30%, o triplo da cifra oficial.

Moreno é o membro mais provocativo do governo, e a saída do chefe de gabinete alimentou pedidos para que ele seja o próximo. Mas Cristina parece não gostar de ser forçada a tomar decisões rápidas - sugerindo que "não haverá mudanças de estilo", disse Blanck.

Alberto Fernández - que há muito tempo defende novos rostos em um gabinete composto principalmente de ministros de Kirchner - somou sua voz aos pedidos de mudança, dizendo em sua carta de renúncia que estava saindo para abrir caminho para "uma nova fase e uma nova equipe".

Os comentaristas da mídia local dizem que em particular ele foi mais direto, dizendo à presidente que havia coisas que não podia mais suportar e assim preferia sair.

Cristina Kirchner evitou mencionar em público a derrota no Senado ou a saída de Fernández, e até agora os únicos rostos novos são Massa e um novo ministro da Agricultura.

Ainda não está claro se Massa, 36, cuja carreira inclui períodos como deputado, diretor do órgão de aposentadorias e mais recentemente prefeito, vai inaugurar o novo estilo que Cristina prometeu em sua campanha eleitoral no ano passado. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

UOL Cursos Online

Todos os cursos