Semana trouxe más notícias para uma economia mundial à beira da recessão

Chris Giles

Para aqueles que não seguem cada detalhe dos dados econômicos globais, a semana passada foi um choque e tanto.

Tamanha foi a extensão de más notícias para cada grande economia avançada que agora nenhuma parece protegida dos estragos da crise do crédito no Atlântico Norte. Em vez disso, todas parecem à beira da recessão, com os riscos rapidamente se tornando realidades.

A semana começou mal, com o obscuro relatório dos agentes de crédito do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nos Estados Unidos. Esta pesquisa da disposição dos bancos em estender o crédito é muito esperada pelos banqueiros centrais como um medidor da saúde do setor financeiro. Em cada categoria de empréstimo para empresas e lares, os bancos americanos estavam tornando os empréstimos mais caros e difíceis. A procura pelos tomadores também estava fraca, um mau sinal para a economia americana nos próximos trimestres.

Vários reveses no Reino Unido também dominaram a primeira metade da semana. Em uma carta aos líderes empresariais, Richard Lambert, diretor-geral do Confederação da Indústria Britânica, reconheceu que a organização dos empregadores esteve "exageradamente otimista em relação ao panorama econômico nos últimos 12 meses".

Se reconhecimento foi seguido na quarta-feira por comentários semelhantes, apesar de menos francos, do Banco da Inglaterra. Mervyn King, o presidente do banco, disse que a inflação provavelmente ultrapassará 5% nos próximos meses, mais que o dobro da meta de inflação. "Talvez haja a possibilidade de um trimestre ou dois de crescimento negativo." Até onde os economistas podem dizer com base nos gráficos do banco, ele acha que há uma chance de 50% da economia britânica estar menor daqui um ano. Isto, no livro de qualquer um, seria uma recessão.

Os problemas não estão de modo algum confinados às economias anglo-saxãs. No segundo trimestre, a economia do Japão encolheu 0,6%, seu pior desempenho trimestral em sete anos. Na quinta-feira, a zona do euro postou uma contração no segundo trimestre de 0,2%, sua primeira desde o lançamento da moeda única em 1999, com queda na renda nacional na Alemanha, França e Itália.

A preocupação na Espanha, onde o crescimento caiu mas permanece positivo em 0,1%, era tão grande que os ministros voltaram de suas férias para uma reunião de emergência em meados de agosto, que decidiu por um pacote de estímulo econômico. O terceiro trimestre parece igualmente ruim para a zona do euro, com sentimento e indicadores de compras para julho particularmente fracos.

Finalmente, a atenção voltou para os Estados Unidos para alguns números chocantemente ruins de inflação. Os preços para o consumidor estiveram 5,6% mais altos em julho do que há um ano, o pior aumento no custo de vida desde 1991.

Stuart Green, do HSBC, que não olha diariamente para os números, disse que a surpresa não foi as notícias ruins, mas seu momento. Após ter esperado pela disseminação dos problemas nos Estados Unidos para as outras economias, "isso não aconteceu até o mês passado, e então tudo veio junto nas últimas semanas", ele disse.

A surpresa dele é compartilhada por muitos. A maioria das grandes economias européias e o Japão pareciam resistentes até recentemente. Agora, por todo o mundo desenvolvido, a inflação está desconfortavelmente alta, os lares estão passando por aperto e as economias estão flertando com a recessão.

O grande temor é que a atual desaceleração se torne um ciclo vicioso, no qual a fraqueza econômica atinja um sistema financeiro já frágil, levando a restrições ainda maiores ao crédito e mais dificuldades econômicas.

Para muitos, o que parece certo é a veracidade do velho ditado de que quando os Estados Unidos espirram, o resto do mundo pega um resfriado. Toda a conversa sobre descolamento -a capacidade das economias de permanecer resistentes diante da fraqueza dos Estados Unidos- tem se mostrado falsa.

Raramente alguém que possa ser superado em previsões pessimistas, o professor Nouriel Roubini, da Escola Stern de Administração e Negócios da Universidade de Nova York, argumentou nesta semana que "literalmente todas as economias do Grupo dos Sete estão caminhando para um pouso difícil recessivo."

Ele cita a crise financeira, a arrocho de crédito e liquidez, o estouro da bolha imobiliária, a queda dos mercados de ações, o fardo dos altos preços das commodities e petróleo, os vínculos comerciais com os Estados Unidos, o euro forte e a inabilidade dos autores de políticas em responder por medo de estimular a inflação como sendo uma mistura tóxica, que levará "a economia global -e não apenas a americana- a uma recessão séria e prolongada".

Além disso, ele insiste, este desastre para o mundo desenvolvido colocará um freio nos "Brics" -Brasil, Rússia, Índia e China, que até agora continuam crescendo fortemente sem se importar com as dores no G7.

Ele argumenta que a China e a Ásia emergente serão atingidas pela redução das exportações ao G7, que a Índia e outras economias emergentes com déficits comerciais sofrerão "uma suspensão repentina de capital", enquanto os exportadores de commodities serão atingidos pela queda dos preços de suas matérias-primas. A evidência de quanto este cenário é plausível veio nesta semana da Índia, onde o conselho econômico do primeiro-ministro previu que o crescimento cairia de 9% no ano passado para 7,7% neste ano.

Mas apesar de todos os números e previsões sombrias, há raios de esperança. É fácil associar os fracos resultados recentes semelhantes em cada economia avançada à mesma causa e chegar à falsa conclusão de que as economias estão mais ligadas do que de fato estão. Esta interpretação, disse Julian Jessop, da Capital Economics, "ignora diferenças significativas na importância relativa dos fatores que levam a desacelerações nas respectivas regiões".

Primeiro, alguns dos números aparentemente terríveis do segundo semestre são relatados de forma mais precisa como sendo correções de um primeiro trimestre incomumente forte. Na Alemanha, a economia encolheu 0,5% no segundo trimestre, após crescer 1,3% no primeiro. O produto interno bruto ainda é estimado como estando 1,7% mais alto do que há um ano, o que não é um número ruim para a maior economia da Europa. O mesmo se aplica ao Japão, onde a contração de 0,6% foi quase idêntica à do mesmo trimestre em 2007, de forma que a taxa de crescimento ano a ano caiu apenas ligeiramente, de 1,2% no primeiro trimestre para 1% no segundo.

Um segundo motivo para otimismo é de que as causas para a fraqueza são diferentes entre as grandes economias avançadas. Apesar dos altos preços das commodities ter atingido lares por todo o mundo, a redução do crédito, a queda dos preços dos imóveis e o alto endividamento do consumidor parece estar atingindo apenas os países com mercados imobiliários excessivamente expandidos -os Estados Unidos, Irlanda, Espanha e, potencialmente, o Reino Unido.

Mais importante, há sinais de que a alta das commodities está começando a reverter. Nem mesmo os combates na Geórgia, um país com um importante oleoduto para o Mar Negro, parecem ter impedido a queda do preço do petróleo nesta semana, algo que há um mês certamente teria provocado alta do óleo cru.

David Mackie, do JPMorgan, disse que a queda no preço das commodities amortecerá uma desaceleração: "Com o petróleo a US$ 145 o barril, a zona do euro entra em recessão; com o petróleo a US$ 115, a região estagnará por algum tempo".

A mudança nos mercados de commodities é um sinal de que há alguns estabilizadores automáticos na economia mundial moderna. Os preços subiram rapidamente à medida que a demanda continuava crescendo e a oferta era decepcionante, mas com as melhores notícias desta semana sobre a produção de petróleo da Opep e os sinais de que as colheitas estão melhorando ao mesmo tempo em que cai a demanda, os preços despencaram, aumentando assim a renda dos lares.

Além disso, a tese do descolamento -no sentido de que partes da Europa e o Japão estarem relativamente imunes a problemas americanos específicos- mantém sua força. A história nunca foi de que qualquer economia, rica ou pobre, poderia se descolar de um fenômeno global como um aumento acentuado em preços de matérias-primas vitais.

Mas o risco permanece em cada canto, mesmo para aqueles países que se vangloriam de ter altos índices de poupança, baixo endividamento e setores bancários relativamente fortes. O ano passado não foi bom para previsões econômicas de consenso, nem para previsões oficiais.

Assim, o mundo avançado está em uma conjuntura precária. Os dados claramente estão piorando e isto ameaça ter uma dinâmica própria. Várias pesquisas apontam que as empresas européias pensam que economizar é a melhor resposta para os problemas atuais. Enquanto isso, os Estados Unidos aguardam nervosamente o fim do ano, quando o auxílio à renda fornecido pela redução dos impostos acabar. É difícil prever um resultado sem um período doloroso para os Estados Unidos, Reino Unido, Espanha e Irlanda.

Apesar da queda do preço do petróleo, no momento de mais de 20% em relação ao seu pico recente, reduzir as forças de contração e inflacionárias em todo o mundo, ainda há riscos reais para os lares e empresas começarem a pensar que a inflação mais alta é normal, levando a uma espiral de salários e preços. Mesmo se não se materializar, a ameaça de uma inflação persistente conterá as ações dos bancos centrais de estímulo à demanda em um momento difícil.

Assim, por ora, a política global é esperar e ver -e torcer. O choque duplo dos altos preços das commodities e crise financeira poderá passar ao longo do próximo ano, à medida que a economia mundial encontrar um novo equilíbrio, não tão dinâmico quanto nos últimos cinco anos, mas ainda assim bem agradável.

É um cenário perfeitamente possível, mas as notícias do último ano, particularmente dos últimos meses, sugerem que não é provável. Há bons motivos para acreditar que o caminho à frente para as economias mais avançadas é melhor do que algumas previsões apocalípticas. Mas ainda assim é provável que seja uma viagem turbulenta. George El Khouri Andolfato

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