Número de pobres aumenta nas regiões em desenvolvimento

Harvey Morris
Na ONU

Apesar de quase uma década de esforços internacionais intensificados para melhorar as vidas dos menos favorecidos do mundo, o número dos que vivem na extrema pobreza está aumentando nas regiões mais pobres, disse a ONU em um relatório publicado nesta quinta-feira (11).

O relatório define a estrutura para uma cúpula de até cem chefes de Estado e de governo que se reunirão em Nova York este mês para discutir se ainda é possível atingir uma série de metas ambiciosas estabelecidas em 2000 para melhorar os padrões de vida no mundo em desenvolvimento.

O desafio é feito enquanto os países doadores enfrentam suas próprias dificuldades econômicas, juntamente com o aumento dos preços da energia e dos alimentos, que representam uma ameaça ainda maior à vida e à estabilidade nos países mais pobres.

Os números da ONU indicam que extrema pobreza havia caído em termos de porcentagem global e que a meta de diminuí-la pela metade até 2015 ainda é factível. No entanto, o progresso foi desigual. A maior parte da melhora ocorreu na Ásia, onde a expansão econômica chinesa ergueu 475 milhões de pessoas acima da linha de pobreza de US$ 1,25 por dia entre 1990 e 2005.

Na maior parte das outras regiões em desenvolvimento, porém, o número de pobres estava crescendo entre as populações em expansão. Na África subsaariana, os que vivem abaixo da linha de pobreza aumentaram em 100 milhões no mesmo período. "A profundidade da pobreza nessa região é maior que em qualquer outro lugar, com uma média diária de consumo de US$ 0,70 por dia", disse o relatório.

Em seu relatório sobre o avanço das metas de desenvolvimento do milênio (MDG na sigla em inglês) estabelecidas em 2000 e que deveriam ser cumpridas até 2015, a ONU disse que avanços significativos foram feitos na direção de se alcançar muitas dessas metas. Em todas as regiões exceto duas a matrícula escolar primária hoje alcança 90%; as mortes por rubéola, Aids e tuberculose estavam diminuindo em todo o mundo; mais pessoas tinham acesso à água potável segura; e os países em desenvolvimento haviam reduzido pela metade o valor gasto com o serviço da dívida externa.

No entanto, o relatório também listou a persistência da desnutrição infantil, com um quarto de todas as crianças no mundo em desenvolvimento abaixo do peso; a insegurança no emprego entre dois terços das mulheres nos países em desenvolvimento, onde mais de 500 mil morrem anualmente no parto ou de complicações da gravidez; e a persistência de favelas que abrigam um terço da crescente população urbana nos países em desenvolvimento.

A ONU já advertiu que os atuais níveis de ajuda estrangeira são insuficientes para cumprir esses e outros desafios, e que há uma lacuna de financiamento de mais de US$ 30 bilhões em promessas feitas pelos países ricos. A cúpula coincide com a inauguração da próxima sessão da Assembléia Geral da ONU e reunirá os líderes de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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