Sarkozy sugere cúpula mundial sobre a turbulência

Harvey Morris
Na ONU

O presidente George W. Bush enfrentou nesta terça-feira pressões dos líderes mundiais para internacionalizar a resposta à turbulência nos mercados financeiros.

Nicolas Sarkozy, presidente da França, lançou a idéia de uma cúpula mundial, baseada num encontro expandido do Grupo dos Oito países mais industrializados, enquanto o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva insistiu que mesmo os países mais afetados não podem agir sozinhos.

A cúpula proposta por Sarkozy seria aberta para países emergentes e incluiria autoridades regulatórias, "para que possamos discutir todos os assuntos levantados pela regulação e a crise financeira", disse depois de falar à Assembléia Geral das Nações Unidas.

O próximo encontro do G8, que segundo Sarkozy deveria incluir a China, Índia, África do Sul, México e Brasil, acontecerá na Itália em novembro.

Antes disso, Sarkozy pediu um capitalismo regulado "no qual setores inteiros de atividades financeiras não são relegados apenas ao julgamento dos operadores de mercado".

Em sua última participação como presidente na Assembléia Geral, Bush disse: "Sei que muitos de vocês estão acompanhando como o governo dos EUA irá lidar com os problemas do nosso sistema financeiro."

Ele assegurou aos líderes que o governo e o Congresso estão trabalhando num pacote econômico, "e estou confiante de que agiremos com a necessária urgência".

"Tomamos passos decisivos para prevenir um desastre severo na economia [dos EUA], que teria um efeito devastador em outras economias em todo o mundo". Outros interlocutores alertaram, todavia, para o fato de que a crise era grande demais para que os EUA agissem sozinhos.

O presidente Lula disse: "Uma crise dessa magnitude não será superada com medidas paliativas. São necessários mecanismos de prevenção e controle para oferecer total transparência às finanças internacionais. A natureza global da crise significa que as soluções que adotamos também têm de ser globais".

As instituições econômicas internacionais não tinham a autoridade nem os instrumentos necessários para inibir o que Lula chamou de anarquia da especulação.

O debate sobre como enfrentar a crise financeira alimentou as antigas demandas de reforma das Nações Unidas e de suas instituições que retornaram na Assembléia Geral deste ano.

"Vamos agir de forma que nossas instituições internacionais sejam mais coerentes, mais representativas, mais fortes e respeitadas", disse Sarkozy.

Bush deixou a crise financeira para a última seção de seu discurso final nas Nações Unidas. Num texto que mencionava o terrorismo mais de 30 vezes, ele disse que a ONU enfrentava o maior desafio desde sua fundação - um movimento global de extremistas violentos.

"Ao assassinar, ao matar deliberadamente os inocentes para conquistarem seus objetivos, esses extremistas desafiam os princípios fundamentais de ordem internacional".

Bush, que já disse que a ONU corria o risco de tornar-se irrelevante por não ter apoiado sua invasão ao Iraque em 2003, reconheceu que a ONU e outras organizações multilaterais são mais necessárias do que nunca.

Mas ele pediu para que a organização seja mais engajada. "Em vez de apenas passar resoluções condenando os ataques terroristas depois que eles acontecem, devemos cooperar mais proximamente para evitar que os ataques terroristas aconteçam antes de mais nada." Eloise De Vylder

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