Fusão de construtoras do Brasil enfrenta oposição

Stephen Fidler
Em Londres (Inglaterra)

Grandes investidores estrangeiros no Brasil estão pedindo a intervenção da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para suspender um negócio que fundiria duas das construtoras de imóveis de baixa renda do país.

Quinze instituições de investimento da América do Norte e da Europa, lideradas pela F&C, escreveram para a Bovespa sobre a compra proposta pela Gafisa do controle acionário da Construtora Tenda.

As instituições são contrárias à estrutura do negócio, que envolveria uma grande emissão de ações da Tenda para a Gafisa.

Em troca, a Tenda se fundiria a uma subsidiária da Gafisa que também constrói imóveis populares, a Fit Residencial Empreendimentos Imobiliários.

Urban Larson, um diretor da equipe de equities da F&C, disse que os investidores não receberam uma avaliação independente da Fit.

"Parece uma avaliação excessiva", ele disse.

Se isso se confirmar, o resultado seria uma diluição excessiva para os investidores na Tenda, que lançou suas ações no Novo Mercado da Bovespa no ano passado.

Em uma carta na semana passada para Edemir Pinto, o diretor-presidente da Bovespa, e Gilberto Mifano, presidente do conselho, as 15 instituições disseram que "parece que (a aquisição) está sendo estruturada de forma deliberada para contornar a lei brasileira, os padrões de listagem da Bovespa e os direitos dos acionistas minoritários".

Apesar de ainda assim estar dentro da lei brasileira, "a atual transação estabelece um precedente profundamente danoso para outras empresas que desejam contornar os padrões de governança que visam proteger os investidores minoritários", diz a carta.

Ela pede que a Bovespa sinalize sua desaprovação dos termos propostos, ordene um levantamento independente das avaliações que servem de base para o negócio e assegure que os investidores minoritários recebam seus direitos plenos em qualquer tomada.

Larson disse que os termos do acordo também preocupam os investidores institucionais brasileiros. Ele disse que, a curto prazo, a turbulência financeira internacional está provocando baixa do mercado.

"Mas o efeito a longo prazo se isso transcorrer como prometido será que os investidores não mais se sentirão confortáveis com o Novo Mercado", ele disse antes de um encontro dele e de colegas com a Bovespa.

Diferente do mercado principal no Brasil, onde múltiplas classes de ações são permitidas, o Novo Mercado permite apenas uma classe.

A carta marca a segunda vez em apenas um mês que investidores liderados pela F&C expressaram preocupação em relação ao tratamento dado aos acionistas minoritários no Brasil. George El Khouri Andolfato

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