Flexibilidade é bom. Improvisar na hora não é

Editorial do Financial Times

Os líderes da Europa ao menos admitiram que seu sistema bancário está em dificuldades. O que eles devem fazer? É mais fácil dizer o que eles não devem fazer. Eles não devem lançar no ar planos de resgate e depois abandoná-los ao primeiro sinal de controvérsia. Eles não devem fazer reuniões, omitir muitos dos jogadores importantes, professar uma frente unida e abandoná-la horas depois. Eles não devem se apressar em garantir todos os bancos, em políticas que apenas roubar o contribuinte. Devemos admitir que houve um trabalho hábil para salvar bancos individuais, mas, no geral, talvez fosse melhor jogar um véu sobre a resposta européia dos últimos sete dias.

Infelizmente, é menos fácil virar a página da crise. Poucos agora estão dispostos a emprestar aos bancos europeus, muito menos outros bancos europeus. A situação não pode continuar assim. Está em risco a prosperidade de milhões de cidadãos europeus inocentes que dependem dos bancos para hipotecas ou empréstimos empresariais.

Os governos precisam pôr fim ao pânico, melhorar a transparência e assim a saúde de bancos sólidos, enquanto permitem que um setor bancário inchado encolha. Infelizmente, não é uma tarefa fácil alcançar essas três metas simultaneamente.

O plano do Tesouro americano de comprar ativos tóxicos em um leilão deve - se bem executado - melhorar a transparência, ajudando a estabelecer o valor dos balanços dos bancos. Como os ativos mais tóxicos parecem ter se originado nos EUA, talvez não haja necessidade de uma ação européia separada neste ponto. Ainda assim, os leilões talvez criem uma maré baixa revelando que muitos bancos vêm nadando nus. É improvável uma avalanche de empréstimos confiantes ao setor bancário. Não vai haver suficiente subsídio para resgatar os bancos ruins e nem deveria.

Vai ser preciso algo mais para pôr fim ao pânico: a re-capitalização do setor bancário. Na falta de uma fila de investidores, isso só será alcançado pela conversão forçada da dívida em equity, ou pelos governos assumindo riscos eles mesmos. Essa crise prece ter conserto, desde que receba mais capital e mais transparência. Com sorte, não será necessária uma garantia ampla de todas as dívidas bancárias, com os horríveis incentivos que vêm com ela.

A dificuldade é que o mundo desenvolvido parece ter bancos demais. Banqueiros demais vêm perseguindo projetos de menos. A consolidação e a perda de emprego no setor bancário parecem inevitáveis, talvez até desejáveis.

Ainda assim não é pouca coisa decidir quais bancos devem ser de capitalizados a algum custo para seus acionistas, quais devem ser abandonados, quais devem ser forçados a fazer cortes e quais estão bem.

Subsidiar os bancos permanentemente incompetentes não é justo e gerará problemas no futuro: as garantias generalizadas que atualmente estão cortando a Europa como raios recaem nessa categoria. Por outro lado, abandonar o setor bancário também seria um desastre. O caminho do meio é estreito.

Até agora, os líderes europeus demonstraram um tipo puramente oratório de união, proclamando juntos que cada um tomará conta dos problemas em seus próprios quintais. Isso parece ser um reconhecimento sensível da realidade, que resiste às tentações de um fundo europeu amplo de resgate. Tal fundo internacional teria dificuldades com as decisões inerentemente políticas de quem deve afundar e quem deve ser salvo.

Mesmo assim, a Europa ainda precisa de um plano e de uma abordagem mais coordenada. A corrida burlesca para indenizar incondicionalmente todos os depósitos é um exemplo do custo do vôo solo. Iniciada pelos irlandeses, rapidamente seguidos pelos gregos, pelos dinamarqueses e - talvez sim, talvez não, pelos alemães - ajudou a disseminar a ansiedade. Não oferece nenhuma proteção adicional ao depósito típico, que já tem seguro, e ainda estimula os bancos ruins a fazerem o jogo de "o dobro ou nada". Não há uma estratégia de saída óbvia. Teria sido a isso que o chanceler do Reino Unido, Alistair Darling, referia-se maliciosamente ontem como a "melhor prática internacional"? Apesar da proteção aos poupadores do varejo certamente ser vital, o pânico entre eles não é causa dos males bancários europeus.

A Comissão Européia agora deveria estar estabelecendo as bases para o papel do Estado na re-capitalização, que a cada dia parece mais necessária. Um obstáculo é o pacto de estabilidade e crescimento, que proíbe déficits excessivos. As regras da UE para a ajuda dos governos formam outra dificuldade. As atuais circunstâncias excepcionais justificam um relaxamento de ambas as restrições, mas não sua suspensão indefinida. É necessário ter clareza.

Uma re-capitalização ampla e coordenada poderia funcionar, mas precisará de um maestro e de uma partitura. Não é hora para solos improvisados. Deborah Weinberg

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