Sarkozy aceita plano de segurança da Rússia

John Thornhill e Quentin Peel
Em Evian

Charles Clover
Em Moscou

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, recebeu positivamente ontem a proposta da Rússia para um novo pacto de segurança europeu, mas salientou que as negociações devem incluir os parceiros norte-americanos da Europa e ocorrer dentro das estruturas de segurança existentes.

Anteriormente, Dimitri Medvedev, o presidente russo, havia delineado sua visão de um sistema de segurança unificado respeitando a soberania dos países, reafirmando os princípios da carta da ONU e renunciando ao uso da força. Em uma crítica à Otan, Medvedev disse que não se deve permitir nenhuma estrutura de segurança na Europa que beneficie alguns países em detrimento de outros.

"O Pacto de Varsóvia está morto há 20 anos, mas infelizmente a ampliação da Otan ocorre com o mesmo fervor apaixonado", ele disse, condenando a promessa da aliança ocidental de incluir a Geórgia e a Ucrânia. "O desenvolvimento com sucesso da Rússia só é possível dentro do contexto de relações internacionais transparentes e eqüitativas", ele disse em uma conferência em Evian (França) da qual participaram os dois presidentes.

Medvedev disse que as tentativas dos EUA de criar um mundo unipolar no campo político e econômico falharam. É essencial reforçar a legitimidade da Otan e regular a economia global com mais eficiência.
"O exemplo dos EUA mostrou que a passagem do capitalismo auto-regulador para o socialismo financeiro é apenas um passo", acrescentou.

O presidente russo defendeu com firmeza as ações militares de Moscou na Geórgia, que provocaram a pior crise nas relações entre o Ocidente e a Rússia desde o fim da Guerra Fria. Ele disse que ver a Rússia moderna da mesma maneira que a União Soviética é uma espécie de paranóia - uma doença perigosa, que "é lamentável que algumas partes do governo americano ainda sofram dela".

O desprezo de Medvedev pelos EUA foi acompanhado de elogios à União Européia. Ele agradeceu ao presidente da França, que detém a presidência rotativa da UE, por mediar um acordo de paz no Cáucaso. "Foi na UE que encontramos um parceiro proativo, responsável e pragmático", ele disse.

Sarkozy disse que o ressurgimento espetacular da Rússia surpreende e às vezes preocupa o mundo, mas que a Europa tem interesse em uma Rússia forte. No entanto, insistiu que qualquer pacto de segurança que se estenda de Vladivostok a Vancouver teria de envolver "nossos colegas americanos". Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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