Apertando o botão de parada

Editorial do Financial Times

Qualquer um com apetite para drama que não tenha ficado saciado com os eventos em Wall Street e Londres precisa começar a sair mais. Lá eles poderão assistir o espetáculo dos mercados de ações das economias emergentes serem realmente despedaçados.

Os negócios foram suspensos na Islândia, Indonésia, Romênia, Rússia e Ucrânia nesta semana enquanto os preços despencavam. Moscou anunciou outra interrupção das negociações na quinta-feira, mas então aumentou a sensação de uma decisão arbitrária ao mudar de idéia e reabri-lo.

O apelo de apertar o botão de parada quando os mercados caem é inegável. Mas ações como essa dificilmente restauram a confiança e apresentam custos substanciais a longo prazo.

Wall Street permaneceu fechada em 11 de setembro de 2001 após os ataques terroristas, mas por um bom motivo: grande parte da infra-estrutura financeira de Nova York estava fisicamente danificada e o pânico seria inevitável. Aquele era um evento totalmente imprevisto e a movimentação do mercado dificilmente refletiria os fundamentos. Dar aos investidores a chance de avaliar a situação antes de negociar fazia sentido.

Interrupções de negociações associadas a volatilidade e queda dos mercados globais são outro assunto. Não se sabe o que os autores de políticas esperam obter quando suspendem a negociação de ações em meio à atual crise financeira.

A confiança nos mercados já está arruinada e dificilmente melhorará repentinamente durante uma pausa. Impedir os investidores de transferir seus fundos para destinos mais seguros pode tornar as coisas ainda piores.

Se investidores fossem forçados a vender ativos devido a pedidos de cobertura, eles não poderiam fazê-lo com as negociações suspensas. Em vez disso, eles teriam que recorrer a outros mercados, aumentando a volatilidade lá.

Além disso, assim que os mercados reabrem, os investidores terão uma probabilidade maior de sacar seus fundos por temerem não poder fazê-lo livremente no futuro. Gato escaldado tem medo de água fria.

Os "circuit breakers", onde as negociações são paralisadas quando certos limiares são atingidos em um dia, visam acalmar mercados voláteis. Mas se levarem a horários de negociação erráticos, os investidores procurarão por bolsas de valores mais confiáveis.

Onde as vendas são exacerbadas pela deterioração das condições domésticas, então esse pode ser o caso de um fechamento temporário dos mercados. Mas isso deve ser acompanhado pelo anúncio de medidas críveis que tratem da raiz do problema. No momento, isso geralmente significa apoio ou recapitalização para os bancos enfraquecidos.

A Rússia injetou US$ 37 bilhões em empréstimos de longo prazo aos seus principais bancos nesta semana. Mas isso dificilmente ajudará se não for repassado para os bancos menores. Soluções críveis, não a suspensão do mercado, são a resposta. Suspender os negócios não é cura e prejudica a confiança George El Khouri Andolfato

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