Países escoram suas economias

Repórteres do FT*

Além das medidas bastante noticiadas nas principais economias da Europa e dos Estados Unidos na última semana, outros governos atuaram para escorar suas economias

ÁSIA

Os mercados sul-coreanos foram atingidos mais duramente pelo arrocho global do crédito do que seus pares regionais.

O ministro das finanças do país planeja pedir na próxima semana a bancos estrangeiros como o Citigroup, Morgan Stanley e Goldman Sachs para expandirem as linhas de crédito para os bancos coreanos com dificuldade em levantar fundos em moeda estrangeira.

Ele também busca expandir o tamanho do pool proposto de US$ 80 bilhões em acordos de swap de moeda entre os países do Leste Asiático e implantar o esquema rapidamente.

Cingapura mergulhou na sexta-feira em recessão pela primeira vez desde 2002 e se juntou a outros países asiáticos no alívio da política monetária, em meio à preocupação de que poderá sofrer sua mais profunda retração econômica desde sua independência, em 1965.

A economia contraiu inesperadamente em 0,5% no terceiro trimestre em comparação ao ano passado, com base em dados preliminares.

O governo japonês está considerando uma estrutura para a injeção de fundos públicos em instituições financeiras regionais como parte de um novo pacote de estímulo econômico.

O Banco do Japão colocou um total de 4.500 bilhões de ienes (US$ 45 bi) no mercado de dinheiro, a maior injeção do gênero desde março de 2006.

Na sexta-feira, Palaniappan Chidambaram, o ministro das finanças da Índia, prometeu injetar quanto for necessário em fundos de emergência no mercado indiano, à medida que a moeda sofria uma desvalorização recorde e as ações despencavam.

Seus comentários foram feitos enquanto o banco central adotava medidas de emergência, reduzindo a alíquota dos depósitos compulsórios de 9% para 7,5% -a maior redução desde 2001.

EUROPA

Vladimir Putin, o primeiro-ministro da Rússia, disse que o Estado começaria a investir nas ações das empresas na próxima semana, em uma tentativa de colocar um fim à deterioração que eliminou mais de 60% do valor de mercado de ações. Ele disse que a Rússia gastaria 175 bilhões de rublos (US$ 6,7 bi) em compras de ações neste ano e não menos que 175 bilhões no próximo ano.

O governo holandês disse que criou um fundo de 20 bilhões de euros (US$ 27 bi) para recapitalizar bancos e seguradoras, desde que estejam financeiramente saudáveis.

O dinheiro está disponível imediatamente e o governo planeja adquirir ações preferenciais ou concordar em outro mecanismo para refletir qualquer investimento.

O banco central holandês também disse que forneceria aos grupos financeiros um crédito especial se necessário, com estes fornecendo alguma garantia.

A Espanha aprovou um novo fundo de 30 bilhões a 50 bilhões de euros para aumentar a liquidez na economia doméstica com a compra de ativos dos bancos espanhóis. Ele apenas comprará os produtos com grau de investimento mais altos por meio de leilão.

AS AMÉRICAS

A escassez de dólares provocada pela falência do Lehman Brothers colocou pressão sobre muitas moedas latino americanas. Essa escassez aumentou as preocupações de que a queda dos preços dos commodities atingirá duramente muitas das economias da região.

O banco central do Brasil vendeu dólares nesta semana pela primeira vez em mais de cinco anos para conter a desvalorização do real. Mas a desvalorização já é de 17% no mês. O banco central mexicano também interveio para vender dólares, ajudando a reverter a desvalorização do peso.

Chile e Peru também suspenderam os aumentos esperados nas taxas de juros. O banco central do Chile, que encerrou as compras diárias de dólares em 29 de setembro, implantou algumas medidas para liberar dólares dentro de seu sistema financeiro.

No Canadá, que tem suportado a crise melhor do que a maioria dos outros países desenvolvidos, o ministro das finanças anunciou planos para compra de US$ 25 bilhões em hipotecas de alta qualidade dos bancos, em uma tentativa de garantir a capacidade destes de continuar emprestando.

*Por Song Jung-a, em Seul; John Burton, em Cingapura; Michiyo Nakamoto, em Tóquio; Joe Leahy, em Mumbai; Catherine Belton, em Moscou; Michael Steen, em Amsterdã; Victor Mallet, em Madri; e Stephen Fidler, em Londres. George El Khouri Andolfato

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