Por que Krugman merece o Nobel

Editorial do Financial Times

Em geral, a reação ao anúncio do vencedor do prêmio Nobel é "quem?". Ontem não. Paul Krugman, colunista do "New York Times" é (junto com o falecido Milton Friedman) o homem mais reconhecível a receber a honra. Ele foi premiado pela "análise de padrões de comércio e localização da atividade econômica" e, com igual justiça, poderia ter sido premiado por lembrar ao mundo que idéias econômicas rigorosas importam.

O prêmio não foi surpresa: o Nobel parecia destinado há muito tempo a pousar eventualmente no colo de Krugman. Ainda assim, alguns questionarão o momento da premiação e o fato de Krugman ser um único a receber o prêmio.

O momento - três semanas antes das eleições presidenciais americanas - é provocativo porque Krugman tem sido um crítico afiado e influente tanto do governo Bush quanto de McCain. Depois, tem a decisão do comitê do Nobel de não dividir o prêmio, como faz comumente, com economistas com trabalhos relacionados. Homens como Avinash Dixit tornaram a pesquisa de Krugman possível. Contudo, enquanto os talentos de Paul Krugman como economista são compartilhados por alguns de seus parceiros, seus talentos como comunicador não. Parece que o comitê do Nobel sentiu que o papel de Krugman como intelectual público era mais um fator para a premiação e não um obstáculo.

Isso não é ruim. Como o mundo está novamente se dando conta, a economia tem importância. Krugman sempre foi um exemplar de pensamento econômico claro e defensor dos dados acima das anedotas. Ele foi um analista sensível da crise asiática e tem sido um forte e inteligente defensor da globalização. Seus leitores foram advertidos em boa hora a tomarem cuidado com a loucura das ponto.com e com a bolha imobiliária, aprendendo economia por meio de parábolas sobre um círculo de babás, uma corrida do ouro ou um fabricante de cachorro-quente.

Poucos economistas negarão que a pesquisa de Krugman merece esse prêmio, mas alguns ressentem o fato dele hoje ser muito mais voltado a demolir uma prática de campanha republicana do que de construir um modelo econômico visionário.

Há verdade nisso. Enquanto suas críticas às políticas lamentáveis do governo Bush tenderam a ser verdadeiras, sua ira algumas vezes pode diminuir a persuasão de seu argumento. De qualquer forma, muitos jornalistas podem fazer isso, mas apenas um economista pode escrever uma cuidadosa "teoria de comércio interestelar". Mesmo quando o criador de polêmicas está correto, ocasionalmente faz o sagaz popularizador da lógica econômica passar despercebido.

Não é tarde demais para Paul Krugman voltar ao que faz melhor: explicar como funciona a economia, por que é importante e o que políticas mal direcionadas podem fazer a ela. De fato, essa mudança talvez ocorra em breve. Caso aconteça, não será por causa do prêmio Nobel, mas porque os republicanos não estarão mais na Casa Branca. Uma presidência de Obama talvez persuada Krugman de que seus serviços na frente política não são mais tão urgentemente necessários.

Palavras de ordem e polêmicas têm importância. Assim como modelos e dados. Paul Krugman é mestre em todos eles. A ele, nossos parabéns. Seus talentos como teórico são raros; como comunicador são mais raros ainda Deborah Weinberg

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