Estudo americano mostra como membros paralisados podem ser controlados pelo pensamento

Clive Cookson
De Londres

Neurocientistas nos Estados Unidos mostraram pela primeira vez que uma conexão eletrônica entre o cérebro e os músculos pode restaurar o movimento de membros paralisados.

A experiência, realizada em macacos do gênero Macaca pela Universidade de Washington, em Seattle, poderia no futuro aumentar a mobilidade de milhões de pessoas em todo o mundo que estão paralisadas por lesão na espinha, derrame ou doença no cérebro. Os resultados foram publicados na quarta-feira na edição online da revista "Nature".

Os cientistas usaram uma "interface cérebro-computador", um dos assuntos mais quentes de pesquisa em biologia, que envolvia o uso de eletrodos implantados no córtex motor dos macacos, a região do cérebro que controla os movimentos voluntários.

Os eletrodos foram conectados por meio de um circuito externo a um computador.

Em troca de alimento, os macacos praticaram um jogo de alvo que exigia que virassem seus pulsos e controlassem os movimentos de um cursor na tela do computador por meio de atividade neural. Após dominarem o controle do cursor, os pesquisadores paralisaram temporariamente os músculos do pulso dos macacos com uma anestesia local, que bloqueava a condução dos nervos. Então os pesquisadores converteram a atividade no cérebro do macaco em uma simulação elétrica dos músculos paralisados do pulso, por meio do circuito externo. Os macacos continuaram a praticar o jogo de alvo -mas agora os movimentos do cursor eram movidos pelos movimentos de fato dos pulsos, demonstrando que o macaco retomou o controle do pulso paralisado, por meio do poder do pensamento.

"Este estudo demonstra uma nova abordagem para a restauração do movimento por meio de dispositivos neuroprotéticos, que ligariam o cérebro de uma pessoa à ativação de músculos individuais em um membro paralisado para produzir controle natural e movimentos", disse Joseph Pancrazio, do Instituto Nacional de Desordens Neurológicas e Derrame, que financiou a pesquisa.

O projeto é um dos muitos que investigam o potencial de interfaces cérebro-computador para o controle de membros paralisados e próteses.

A experiência da Universidade de Washington é a primeira a combinar uma interface cérebro-computador com a técnica, chamada de simulação elétrica funcional.

"Se você tem um braço cujos músculos podem ser estimulados, uma pessoa pode aprender a reativá-los com esta tecnologia", disse Eberhard Fetz, o líder do estudo. George El Khouri Andolfato

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