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16/10/2008

Estudo americano mostra como membros paralisados podem ser controlados pelo pensamento

Financial Times
Clive Cookson
De Londres
Neurocientistas nos Estados Unidos mostraram pela primeira vez que uma conexão eletrônica entre o cérebro e os músculos pode restaurar o movimento de membros paralisados.

A experiência, realizada em macacos do gênero Macaca pela Universidade de Washington, em Seattle, poderia no futuro aumentar a mobilidade de milhões de pessoas em todo o mundo que estão paralisadas por lesão na espinha, derrame ou doença no cérebro. Os resultados foram publicados na quarta-feira na edição online da revista "Nature".

Os cientistas usaram uma "interface cérebro-computador", um dos assuntos mais quentes de pesquisa em biologia, que envolvia o uso de eletrodos implantados no córtex motor dos macacos, a região do cérebro que controla os movimentos voluntários.

Os eletrodos foram conectados por meio de um circuito externo a um computador.

Em troca de alimento, os macacos praticaram um jogo de alvo que exigia que virassem seus pulsos e controlassem os movimentos de um cursor na tela do computador por meio de atividade neural. Após dominarem o controle do cursor, os pesquisadores paralisaram temporariamente os músculos do pulso dos macacos com uma anestesia local, que bloqueava a condução dos nervos. Então os pesquisadores converteram a atividade no cérebro do macaco em uma simulação elétrica dos músculos paralisados do pulso, por meio do circuito externo. Os macacos continuaram a praticar o jogo de alvo -mas agora os movimentos do cursor eram movidos pelos movimentos de fato dos pulsos, demonstrando que o macaco retomou o controle do pulso paralisado, por meio do poder do pensamento.

"Este estudo demonstra uma nova abordagem para a restauração do movimento por meio de dispositivos neuroprotéticos, que ligariam o cérebro de uma pessoa à ativação de músculos individuais em um membro paralisado para produzir controle natural e movimentos", disse Joseph Pancrazio, do Instituto Nacional de Desordens Neurológicas e Derrame, que financiou a pesquisa.

O projeto é um dos muitos que investigam o potencial de interfaces cérebro-computador para o controle de membros paralisados e próteses.

A experiência da Universidade de Washington é a primeira a combinar uma interface cérebro-computador com a técnica, chamada de simulação elétrica funcional.

"Se você tem um braço cujos músculos podem ser estimulados, uma pessoa pode aprender a reativá-los com esta tecnologia", disse Eberhard Fetz, o líder do estudo.

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