Nuvem de pessimismo paira sobre a Rússia e o Brasil

David Oakley

Há apenas cinco meses, a Rússia estava nas alturas. Os valores de suas ações estavam próximos a recordes históricos, as reservas de moeda estrangeira era a inveja do mundo e alguns analistas chegavam até a descrever o país como um paraíso para investimentos.

Atualmente, devido em grande parte ao estouro da bolha de commodities que sustentava muitas economias de mercado em todo o mundo, aquele cenário brilhante tornou-se francamente sombrio.

O mercado de equities russo de maior liquidez, o Micex, sofreu uma queda drástica de 70% desde maio, em meio à liquidação de ações vinculadas a commodities.

Assim como a Rússia, outros grandes exportadores de commodities amargaram quedas espetaculares dos preços dos ativos, incluindo nações ricas em recursos na América Latina e os produtores de petróleo no Golfo Pérsico e na África.

Produtores de petróleo como Rússia, México e Nigéria enfrentam agora pressões sobre as suas balanças de conta corrente, e Moscou espera o primeiro déficit em vários anos, neste momento em que o preço do petróleo cai para patamares inferiores a US$ 80 o barril.

Até mesmo a Arábia Saudita e outras nações do Golfo Pérsico ricas em petróleo, embora ainda sejam capazes de recorrer aos seus vastos recursos, viram os seus mercados de equities despencar, sendo que o principal valor de referência saudita caiu mais de 40%.

A pressão sobre a economia brasileira tem sido um motivo especial de choque. O cenário emsombreceu-se dramaticamente em uma questão de meses, e o governo brasileiro foi obrigado a intervir, relaxando as regras de empréstimos, enquanto as companhias e os bancos lutam para obter dinheiro nos nervosos mercados de capital.

O Brasil é uma nação que já foi tida com uma das histórias de maior sucesso econômico no mundo, e, assim como a Rússia, era considerada imunizada contra uma recessão global.

Jon Harrison, um estrategista de mercados emergentes da Dresdner Kleinwort, afirma: "O grande enredo da crise é o deleverage. Nenhum país está imune. Tudo que seja remotamente arriscado está sendo desativado, e isso inclui as fortes economias produtoras de commodities como o Brasil".

David Lubin, economista do Citigroup especializado em mercados emergentes acrescenta: "Todas as economias produtoras de commodities sofreram com a crise do apetite por riscos, devido às suas muito substanciais leverages. E as coisas piorarão para esses países caso os preços das commodities continuem caindo".

Com certeza, para a Rússia e o Brasil, aqueles dias empolgantes de primavera - quando as ações estavam em alta e o cenário era mais seguro para estes países - parecem ser uma lembrança longínqua". UOL

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