Salvar os bancos foi apenas o primeiro passo

Editorial do FT

A maré, finalmente, parece ter mudado na crise dos bancos. Mais instituições financeiras deverão enfrentar problemas, mas os governos se anteciparam à crise e podem -finalmente- lidar com ela de forma sistemática. Se os bancos agora apoiarem a economia real fornecendo crédito, mais medidas drásticas - como uma nacionalização plena - não serão necessárias. Apesar de a crise financeira poder ter sido a pior em um século, comparações com a Grande Depressão agora parecem exageradas. Este é um sério passo à frente. Mas ainda estamos caminhando para uma grave recessão na economia real.

As previsões parecem estar competindo em um leilão ao contrário para redução das expectativas de crescimento para os próximos dois anos. Um período prolongado de estagnação e recessão agora parecem prováveis para os Estados Unidos, Reino Unido e para a zona do euro, provavelmente a pior desaceleração desde o início dos anos 80.

A dor não ficará confinada ou concentrada em um setor - padrões de desemprego são impossíveis de prever. Mas alguns setores são particularmente vulneráveis; os fabricantes de bens duráveis pesados são os primeiros a sofrer. As vendas de carros, móveis e eletrodomésticos já estão em queda livre.

Apesar da renda dos lares ser ajudada pelo recuo da inflação, o crescimento salarial continuará em queda - como já está acontecendo no Reino Unido, Estados Unidos e zona do euro neste ano.

À medida que encolhem as maiores fontes de tributos - consumo, lucros e renda - os gastos em benefícios aumentarão, provocando forte alta do endividamento público. Que assim seja. Esses estabilizadores automáticos mantêm a demanda estimulada. Agora não é hora de puritanismo fiscal.

Os políticos podem ficar tentados a ir mais longe e promover mais gastos para combater a recessão. Isso significará fornecer mais dinheiro para as pessoas, causas ou projetos que o gastarão imediatamente. Mas isso significa assegurar uma não tomada de empréstimos acima do que os mercados estão dispostos a emprestar e estabelecer um caminho claro de médio prazo para um orçamento razoavelmente equilibrado. Planos devem ser elaborados, mas esta opção nuclear ainda não é necessária.

Ainda há muito o que pode ser feito usando a política monetária convencional. Tanto no Reino Unido quanto na zona do euro, as taxas de juros devem ser reduzidas de novo na próxima oportunidade. A inflação está acima da meta em ambas as regiões, mas deverá começara a cair em breve à medida que a economia esfriar. Deflação e recessão são as verdadeiras ameaças, não a inflação.

Os Estados Unidos estão mais próximos de precisar de um estímulo fiscal, já que as taxas já estão muito baixas. Mas mesmo lá ainda não é hora de empregar um novo New Deal. Eles precisam suspender o fogo até que seja necessário.

Os governos se ergueram repentinamente aos desafios diante deles, transformando os terríveis problemas de confiança bancários em problemas fiscais administráveis. Eles poderão até mesmo ter que fazer o mesmo com os problemas de crescimento, expandindo os gastos públicos. A recessão será feia e brutal. Mas uma política eficaz tem uma chance de fazer com que não dure muito. Os autores de políticas devem agora se voltar para a economia real George El Khouri Andolfato

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