Ações e moedas das economias emergentes sofrem duro golpe

David Oakley
Peter Garnham

As ações, títulos e moedas dos mercados emergentes sofreram fortes quedas na quarta-feira, à medida que se aprofunda a crise global de crédito, em meio à crescente aversão ao risco e aumento do medo em relação à severidade da desaceleração econômica mundial.

Ucrânia, Hungria, Sérvia, Turquia, Islândia, Argentina, África do Sul e Coréia do Sul foram todos duramente atingidos. Esses países são considerados de risco extremo por causa das dívidas imensas que possuem.

Significativamente, as economias emergentes mais fortes da China e do Brasil, que acumularam grandes reservas de moeda estrangeira e são consideradas mais estáveis, também sofreram duros golpes -um sinal do aumento da ameaça aos países em desenvolvimento por causa do aprofundamento da desaceleração global.

O alarme também está aumentando em torno da saúde do sistema bancário de algumas economias de mercado emergentes, à medida que os investidores desviam sua atenção após os bancos centrais e governos terem agido para tratar dos problemas financeiros nos países desenvolvidos.

Nick Chamie, chefe de pesquisa de mercados emergentes da RBC Capital Markets, disse: "O que estamos vendo é um rápido desfazer de uma quantidade imensa de fluxos de investimento para os mercados emergentes nos últimos cinco anos.

"Muitos países incorriam em grandes déficits em conta corrente e viviam dos grandes afluxos do exterior. Agora isso está revertendo e causando grandes problemas a estas economias."

Beat Siegenthaler, da TD Securities, disse: "Não dispor de um emprestador de último recurso 100% crível, incluindo o governo e não apenas o banco central, agora se tornou um problema para muito mais países".

"Qualquer um com necessidades externas de financiamento tem sofrido, incluindo a Turquia, África do Sul e Hungria."

O índice de ações dos mercados emergentes MSCI caiu 5% na quarta-feira e atingiu o ponto mais baixo em três anos, enquanto o índice de títulos soberanos dos mercados emergentes Embi+ viu os spreads dos títulos do Tesouro saltarem 43 pontos básicos, para 732 pontos básicos -o valor mais alto em cinco anos.

A Argentina foi uma das maiores vítimas, com suas ações despencando 13% até a metade do pregão após o país, na prática, ter nacionalizado seu sistema de previdência privada na terça-feira para aumentar a receita do governo. Seus swaps de crédito, uma forma de seguro contra não pagamento de dívida, também aumentaram 400 pontos básicos, para 3.600 pontos básicos -o maior spread de swaps de crédito soberanos no mundo.

A ações do Brasil despencaram 6% até a metade do pregão, enquanto as da Hungria e da Turquia fecharam com queda de 4% e as da China com queda de 3%. Os preços dos swaps de crédito, que são os melhores referenciais para o sentimento nos mercados de títulos, aumentaram acentuadamente em todos estes países.

Nas moedas, a lira turca se desvalorizou 4,3%, fechando 1,6470 lira, e o rand sul-africano se desvalorizou 4,2%, fechando a 11,0855 rands, frente ao dólar.

O florim húngaro, que se desvalorizou mais de 13% frente ao dólar desde o início da semana passada, caiu 2%, para 216,79 florins, mesmo após o banco central do país ter elevado sua principal taxa de juros em 300 pontos básicos, para 11,5%, em seu esforço para defender a moeda do país.

O won da Coréia do Sul, país que também conta com grande déficit em conta corrente, caiu 3,2%, para 1.361,50 wons, frente ao dólar. E o real brasileiro perdeu 4,7% frente ao dólar, fechando a R$ 2,3530. George El Khouri Andolfato

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