Cidades americanas estão entre as mais desiguais em renda

Fiona Harvey
Em Londres

As cidades dos EUA estão hoje entre as mais desiguais do mundo, rivalizando com cidades de países em desenvolvimento como Nairóbi e Santiago na disparidade entre ricos e pobres, disse a ONU.
Em seu relatório "Situação das Cidades do Mundo", a ONU identificou Atlanta, Nova Orleans, Washington, Miami e Nova York como as cidades mais desiguais dos EUA, comparando-as com Nairóbi, Buenos Aires, Santiago e Abidjã (Costa do Marfim).

Nova York se classificou em décimo lugar na lista das cidades mais desiguais do mundo, a única cidade de país desenvolvido que apareceu entre as dez primeiras, atrás de centros como Joanesburgo, Bogotá, São Paulo e Ho Chi Minh City. Os altos níveis de desigualdade são "uma receita para tumultos e levantes sociais", advertiu Anna Tibaijuka, diretora-executiva do Programa de Assentamentos Humanos da ONU.

O encolhimento do crédito que afeta o setor bancário mundial deve ser visto como uma "crise de financiamento da habitação", deixando os mais pobres a sua própria sorte, ela acrescentou. As cidades mais igualitárias do mundo foram Pequim, Jacarta (Indonésia) e Phnom Penh (Camboja). As cidades européias também estiveram entre as mais igualitárias do mundo.

O relatório disse que pela primeira vez na história a metade da população mundial vive em áreas urbanas, confirmando as previsões feitas pela ONU no início deste ano. As cidades foram classificadas usando o "coeficiente Gini", uma medida estatística usada para mostrar a distribuição de renda.

A ONU disse que a desigualdade de renda é acompanhada por sérias diferenças na saúde das pessoas, em suas oportunidades e no acesso aos serviços públicos. Por exemplo, nos EUA, a expectativa de vida de pessoas negras que vivem em cidades é mais ou menos igual à dos residentes urbanos da China e alguns estados da Índia, apesar da riqueza comparativa dos EUA.

Tibaijuka disse que as severas desigualdades entre residentes das cidades têm um preço econômico, além de social. "A desigualdade não é boa para a economia", ela acrescentou. O relatório da ONU indicou o fato de que a desigualdade aumenta os custos de segurança, prejudica a atratividade para investidores e leva ao uso ineficaz dos recursos.

A ONU também pediu ontem um "New Deal verde", nas linhas das medidas adotadas por Franklin D. Roosevelt, presidente dos EUA no início da década de 1930, que revelou um pacote de estímulo econômico que se concentrava em obras públicas.

Achim Steiner, diretor-executivo do Programa do Meio Ambiente da ONU, pediu medidas que estimulem a economia e reduzam as emissões de gases do efeito estufa, como investimentos em energia renovável, que criariam empregos e novos fluxos de renda, enquanto ajudariam a enfrentar a mudança climática. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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