América Latina é atingida por falta de crédito para exportações

Mark Mulligan
Em Madri

Uma carência de crédito para exportações ameaça intensificar a desaceleração econômica da América Latina, que já está sofrendo o impacto da redução dos preços das commodities, segundo um ex-dirigente do banco de desenvolvimento da região.

Enrique Iglesias, diretor do Secretariado da Cúpula Ibero-americana em Madri, e ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, afirma que a dependência latino-americana de capital estrangeiro tornou a região especialmente vulnerável a atual turbulência financeira.

"Nos últimos anos, empresas de médio e grande porte na América Latina têm obtido financiamentos em Nova York. Elas emitem títulos, fazem acordos para empréstimos... de forma que a crise de crédito está atingindo duramente a região. Um aspecto deste problema é uma falta de crédito para exportações. Para uma região que depende tão intensamente das exportações, este é um problema sério".

Na última quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) concedeu empréstimos de US$ 30 bilhões (? 23 bilhões, £ 19 bilhões) ao Brasil e ao México por meio de swaps cambiais na tentativa de aliviar o problema da escassez de dólares nas maiores economias da região.

Segundo Iglesias, embora agora estejam em melhores condições do que em anos anteriores para enfrentar a atual crise, muitos países experimentaram uma redução drástica das taxas de crescimento. A redução dos preços das commodities constituiu-se em um impacto duro sobre as receitas governamentais, e a queda das ações e dos valores das moedas regionais refletiu o declínio da confiança dos investidores. As remessas de dinheiro do exterior, um componente importante da renda em países como México e Equador, também estão caindo rapidamente.

Os países mais vulneráveis são exportadores de petróleo como a Venezuela e o Equador. A Argentina e o Brasil, que são grandes exportadores agrícolas, também sofrerão.

"A Argentina, por exemplo, perderá neste ano US$ 3 bilhões em receitas tributárias simplesmente por causa da queda do preço da soja".
Recentemente, o Banco Mundial reduziu as suas previsões de crescimento da América Latina para 2009. A previsão atual é de um crescimento entre 2,5% e 3,5% e a anterior ficava entre 4,2% e 4,6%.

A instituição multilateral de empréstimos, por meio da sua Corporação de Finanças Internacionais, respondeu recentemente às demandas dos exportadores com a elevação de US$ 500 milhões para US$ 1,5 bilhão das garantias no seu programa de financiamento de comércio.

"A crise financeira será o tema dominante da reunião de cúpula ibero-americana, que teve início ontem (30/10)", afirmou Iglesias.

Apesar do clima de pessimismo, ele acrescentou: "Temos US$ 460 bilhões em reservas. Embora a inflação tenha subido recentemente, ela ainda encontra-se sob controle. A dívida foi consideravelmente reduzida, e é completamente administrável. A situação fiscal é sólida". UOL

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