Obama lidera no último dia

Por Edward Luce

Os partidários de John McCain chegaram ao último dia da épica disputa presidencial de 2008 admitindo que será necessário "um milagre" para evitar a ampla vitória prevista para Barack Obama amanhã, de acordo com uma série de pesquisas que mostraram a vantagem do democrata se ampliando para os dois dígitos.

McCain, que hoje realizou comícios de última hora em sete Estados oscilantes, numa arremetida rápida de costa a costa, permaneceu desafiante, insistindo que as pesquisas de opinião interpretaram mal o estado de espírito do país. Ontem, o Gallup mostrou Obama com uma liderança de 10 pontos sobre McCain, o suficiente para posicioná-lo com folga numa vitória avassaladora.

A última vez que as pesquisas mostraram McCain brevemente na liderança foi em setembro, antes do colapso financeiro. Os intelectuais republicanos, muitos dos quais estão prevendo o desastre há semanas, disseram que há poucas esperanças de que McCain possa reverter a situação.

As previsões também mostraram que haverá uma participação recorde nas urnas amanhã, baseado no aumento sem precedentes do voto antecipado em Estados como Flórida e Nevada, onde quase metade do eleitorado votou antecipadamente e onde os democratas tiveram grande aumento no número de registros, sobretudo entre os afro-americanos.

Sugerindo que "rezar" era a última esperança de McCain, o ex-candidato republicano Pat Buchanan disse à BBC: "Acho que teremos uma guerra civil dentro do movimento conservador se essa derrota for tão grande e avassaladora quanto a maioria pensa, e se John McCain sucumbir junto com ela".

Enquanto isso, Obama, que fará seu último comício de campanha esta noite na Virgínia, Estado que votou em um democrata pela última vez nas eleições presidenciais de 1964, divulgou ontem um apelo final por doações de campanha, dizendo que os republicanos planejavam um gasto de US$ 10 milhões nas últimas 48 horas de campanha.

Autoridades da campanha de Obama também alertaram seus partidários contra a complacência, revelando temores de que os eleitores poderiam deixar de comparecer às urnas por acreditarem que o resultado já estava determinado.

Fazendo piada sobre sua grande desvantagem financeira durante as eleições, McCain apareceu ao vivo no programa cômico de TV Saturday Night Live em Nova York. Referindo-se ao "infomercial" de Obama, de 30 minutos e US$ 3,5 milhões, divulgado amplamente em três canais de TV na semana passada, McCain descreveu a si mesmo como um "verdadeiro rebelde — um republicano sem dinheiro".

McCain conquistou a platéia ao descrever-se ironicamente como um "vovô triste". "É por isso que venho à TV e digo: 'Vamos lá, Obama terá muitas chances de ser presidente. Agora é minha vez'", disse.

Os últimos compromissos de agenda refletiram a grande desvantagem de McCain na contagem regressiva, com ambos os candidatos se concentrando nos Estados que votaram para George Bush em 2004, alguns dos quais até recentemente eram vistos como território republicano sólido. Obama, que hoje também visitará a Flórida e a Carolina do Norte, está na liderança ou empatado nos dez Estados mais disputados.

Ambos os candidatos lançaram propagandas de ataque de última hora. A campanha de Obama enfatizou o apoio do vice-presidente Dick Cheney a John McCain e ressaltou o fato de que o senador do Arizona havia votado de acordo com o governo Bush durante 90% das vezes. "Essa não é a mudança de que precisamos", dizia o programa.

McCain selecionou afirmações que Obama fez no sábado em Iowa, quando disse que havia um "vento de virtude" por trás de sua campanha. E na Pensilvânia, que está se inclinando fortemente em direção a Obama, mas ainda se apresenta como o caminho mais viável para McCain conseguir uma vitória sofrida amanhã, o partido Republicano divulgou um dos comerciais negativos mais fortes da campanha, focando nas ligações de Obama com o ex-pastor Jeremiah Wright.

"Barack Obama escolheu como seu pastor um homem que culpou os Estados Unidos pelos ataques de 11 de setembro", diz o narrador. "Esse é um homem que tem bom senso para governar?" Eloise De Vylder

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