A escolha norte-americana - e a seqüência

Daniel Dombey

O presidente George W. Bush freqüentemente prometeu "puxar no final" de seu mandato de oito anos na Casa Branca. Entretanto, enquanto o presidente se manteve longe do público nos últimos dias, seu índice de aprovação pairando pouco acima de 20%, ele parecia o mais feio dos patinhos feios.

Agora que as eleições terminaram, entretanto, Bush deve emergir em alto perfil, como anfitrião da reunião de cúpula financeira internacional em Washington D.C., nos dias 14 e 15 de novembro.

O governo Bush também está se preparando para tomar uma medida importante nas relações com o Irã, e está nos últimos estágios finais dos planos para enviar diplomatas a Teerã e abrir um departamento consular que administre os interesses americanos na República Islâmica.

As autoridades do Departamento de Estado vêm discutindo a medida há meses, e a secretária de Estado Condoleezza Rice demonstrou seu apoio à medida, mas negou qualquer pedido formal para até depois das eleições.

Bush está fazendo meramente o que seus antecessores fizeram, procurando deixar sua marca até o último minuto no cargo, no dia 20 de janeiro. Seu pai, George H. W. Bush, enviou tropas para a Somália apenas após perder as eleições presidenciais para Bill Clinton. E Clinton passou seus últimos dias na Casa Branca em esforços vistosos, porém malfadados, para fechar acordos no conflito palestino-israelense e com a Coréia do Norte.

Membros de governos antigos e atuais apontam para a ironia por trás da atual atividade de Bush: que várias das políticas às quais está voltando sua atenção neste momento estão mais próximas de Barack Obama do que de McCain.

Thomas Graham, que chefiou a política para a Rússia na Casa Branca de George W. Bush, argumenta que "há mais continuidade do que se esperaria" entre o governo Bush e a campanha de Obama, parcialmente "porque o governo desviou-se das posições que tinha até um ano atrás em algumas dessas questões".

Durante o segundo mandato, o governo Bush aumentou esforços para restaurar antigas alianças e enfatizar uma abordagem mais multilateral em relação à diplomacia do que fez em seus primeiros quatro anos - seja formulando uma abordagem comum para o Irã, estimulando a paz no Oriente Médio ou lidando com o programa nuclear da Coréia do Norte.

De fato, alguns especialistas e analistas argumentam que, apesar da abordagem mais agressiva de McCain estar mais próxima da política do primeiro mandato de Bush, quando a influência de neoconservadores estava em seu auge dentro do governo, os democratas têm mais em comum com os últimos dias do presidente no cargo, mais pragmáticos.

O movimento do governo para estabelecer uma presença americana no Irã ressoa melhor com o pedido de diálogo de Obama com Teerã do que com a abordagem suspeitosa de McCain.

Na questão da Coréia do Norte, foi Obama que elogiou a recente medida do governo Bush de tirar Pyongyang da lista americana de Estados que patrocinam o terrorismo como "um passo modesto adiante". McCain, por outro lado, criticou a decisão.

Obama, inclusive, parece mais próximo ao plano de resgate do setor financeiro de US$ 700 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão) do que McCain, que propôs em vez disso a criação de um fundo de US$ 300 bilhões (em torno de R$ 600 bilhões) para hipotecas. Bush aumenta esforços para deixar posição de patinho feio Deborah Weinberg

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