Brasil busca exercer mais influência nas decisões globais

Jonathan Wheatley
Em São Paulo

Ministros das finanças e presidentes dos bancos centrais do Grupo dos 20 (G20) países desenvolvidos e em desenvolvimento se reunirão em São Paulo neste fim de semana para tentar chegar a um acordo em torno das propostas para o encontro de cúpula em Washington, no próximo sábado.

Espera-se que Brasil ressalte sua exigência por maior influência sobre entidades como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, também representados no encontro.

Guido Mantega, o ministro da Fazenda, disse ao "Financial Times": "A governança econômica e financeira global precisa de mudanças urgentes (...) Agora está mais claro do que nunca que os países em desenvolvimento devem ter uma voz mais forte nas decisões globais. Nós estamos determinados e prontos".

A União Européia (UE), representada no encontro de São Paulo por Christine Lagarde, a ministra da Economia da França, deverá propor uma maior e mais coordenada regulamentação dos mercados financeiros mundiais, incluindo maiores controles sobre as agências de classificação de crédito e regras de auditoria mais rígidas para bancos e seguradoras. Mas as propostas francesas encontraram resistência nesta semana de outros membros da UE, relutantes em ver um aumento da regulamentação. Lagarde, falando aos jornalistas brasileiros antes de partir de Paris para São Paulo, sugeriu que as exigências do Brasil de uma voz mais forte para os países emergentes também poderão ser contestadas no encontro.

"Já ocorreu uma reforma na gestão do FMI", ela disse. "Há um ditado em inglês: 'Aquele que paga o flautista e que escolhe a música'. Mais influência sem mais fundos? Isso não existe".

Mantega insistiu que uma reforma é necessária, dizendo que as agências multilaterais "se tornaram mais e mais desconectadas dos fatos e necessidades do mundo em que vivemos".

Rubens Barbosa, um consultor de comércio e ex-embaixador brasileiro em Londres e Washington, disse que o Brasil já aumentou sua contribuição ao FMI, mas o conseqüente aumento de seu poder de decisão fez pouca diferença.

"Os governos dos países emergentes fazem parte de uma nova distribuição de poder no mundo", ele disse. "Eles querem mais poder no processo multilateral de tomada de decisão".

Mantega pediu pela reforma do Fórum de Estabilidade Financeira (FSF, na sigla em inglês), formado juntamente com o G20 em 1999. Ele disse que o número de membros do FSF, que atualmente se limitam às sete maiores economias do mundo mais Austrália, Hong Kong, Holanda, Cingapura e Suíça, deve ser expandido.

Segundo ele: "Por que as políticas recomendadas pelo FSF devem ser aceitas se as economias emergentes, responsáveis por uma parcela cada vez maior do crescimento econômico global, não participam de sua elaboração?" George El Khouri Andolfato

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