Pedido para rotulação mais simples de hortifrutis para ajudar países pobres

Alan Beattie
Em Londres

Bens produzidos sob rótulos de "consumidor ético" ajudam muito poucos produtores em países pobres e devem ganhar um padrão mais amplo, diz um novo relatório.

O Overseas Development Institute (Instituto de Desenvolvimento no Exterior), um centro de estudos com sede em Londres, diz que os produtores rurais pobres se beneficiariam com um rótulo mais simples de "bom para o desenvolvimento" assim como de padrões existentes como o Fairtrade (comércio justo).

"É provável que existam muitas exportações que beneficiem significativamente os produtores de países em desenvolvimento, mas que não são explicitamente reconhecidas dessa forma, já que não podem se enquadrar em nenhum dos esquemas de rotulagem ética existentes", dizem as autoras do relatório, Karen Ellis e Jodie Keane.

Elas apontam que um estudo sobre o feijão verde comprado de produtores da Guatemala pela gigante de varejo americana Costco, que beneficiou as famílias pobres do campo, não era coberta por nenhum esquema de comércio ético. Um rótulo "bom para o desenvolvimento" para esses produtos mostraria aos consumidores que a renda é aumentada e a pobreza reduzida com a simples compra de produtores de países em desenvolvimento.

O relatório destaca um debate entre os economistas de desenvolvimento e especialistas sobre a melhor forma de explorar o poder do consumidor para ajudar os produtores de países pobres. Uma proliferação de rótulos de consumidor ético, como o Fairtrade, Rainforest Alliance (aliança para as florestas tropicais) e o Forestry Stewardship Council (conselho de administração florestal), concede o rótulo em troca dos produtores atenderem certos critérios, freqüentemente incluindo padrões ambientais e sociais. O Comércio Justo também garante preços mínimos aos produtores.

Mas o relatório do centro de estudos argumenta que esses rótulos beneficiam muito poucos produtores. Mesmo no Reino Unido, um dos mercados mais desenvolvidos do Fairtrade, hortifrutis com rótulo Fairtrade correspondem a menos de 0,5% das vendas de alimentos e bebidas não-alcoólicas em 2007. As taxas de certificação cobradas dos produtores que se inscrevem no Fairtrade e o custo para os varejistas para criação de novas cadeias de abastecimento e relacionamentos comerciais parecem restringir o crescimento do mercado, disse o relatório.

Barbara Crowther, uma porta-voz do Fairtrade no Reino Unido, disse: "Nós achamos que o Fairtrade já é um rótulo 'bom para o desenvolvimento'". Simplesmente rotular todas as exportações dos países em desenvolvimento como sendo boas para a redução da pobreza poderia reduzir a pressão sobre os compradores para aumento dos padrões, ela disse.

Gareth Thomas, o ministro do comércio e desenvolvimento do Reino Unido, disse: "Nós precisamos procurar formas de expandir além dos rótulos como o bem-sucedido Fairtrade para considerar questões ambientais e de direitos dos trabalhadores". George El Khouri Andolfato

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