Mundo em recessão: América Latina enfrenta arrocho de crédito

Stephen Fidler
Em Londres (Inglaterra)

Volumes imensos de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, emitidos como parte de um esforço para reverter a desaceleração econômica, ameaçam impedir o acesso ao crédito por governos latino-americanos, que enfrentam necessidades de financiamento de uma ordem estimada de US$ 250 bilhões no próximo ano, alertou um grupo de economistas proeminentes da região.

O risco de que os tomadores de empréstimo latino-americanos e de outros mercados emergentes possam "ficar de fora" dos mercados de crédito devido ao déficit fiscal americano, que pode vir a ultrapassar US$ 1 trilhão no próximo ano, não foi muito enfatizado na luta para salvar a economia americana. Mas os economistas disseram que novos mecanismos "poderosos e inovadores" são necessários para lidar com a ameaça, visando direcionar dinheiro de volta à região.

O grupo, conhecido como Comitê Latino-Americano de Assuntos Financeiros, inclui ex-ministros da economia e banqueiros centrais como Roque Fernández, o ex-ministro da Economia da Argentina, e Ruth de Krivoy, a ex-presidente do banco central da Venezuela. Angel Gurría, o secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, faz parte do painel como convidado.

Os economistas, que emitiram uma declaração após o encontro em Washington, estimam que os governos latino-americanos precisam de US$ 250 bilhões apenas para rolar a dívida e apoiar os orçamentos em 2009. Eles pediram por mais trabalho para determinar o valor exato.

O grupo sugeriu que os recursos disponíveis por meio do Fundo Monetário Internacional e outras instituições multilaterais são totalmente inadequados para lidar com a escala dos recursos necessários. Ele disse que "recursos sem precedente" devem estar disponíveis -por meio de novas facilidades e mais recursos para as instituições existentes- para canalizar fundos para a região.

Os riscos para a América Latina apresentados pela emissão pesada de títulos da dívida americana também reforçam a necessidade de que os países que contam com superávits elevados em conta corrente, como a China, também adotem medidas para estimular a demanda agregada, disse o grupo.

A declaração descreveu uma deterioração acentuada das perspectivas econômicas da região nos últimos meses, causada por uma fuga de ativos de alta qualidade e pelo congelamento do crédito internacional. Segundo ela, a região sofreria com a desaceleração acentuada da economia mundial e com a queda dos preços dos produtos exportados.

A menos que o crédito encontre um caminho para a região, os economistas disseram que os governos seriam forçados a escolher entre duas alternativas pouco agradáveis: doloroso ajuste fiscal que reforçaria a desaceleração ou medidas distorcivas, como restrições às importações e controles de capital.

"Na ausência de ações internacionais adequadas, políticas 'empobreça o vizinho' como resposta poderiam ser politicamente inevitáveis, minando seriamente a base do sistema global de cooperação que surgiu após a Segunda Guerra Mundial e que permitiu taxas sem precedente de crescimento do comércio e da renda, assim como redução da pobreza global."

Guillermo Calvo, da Universidade de Colúmbia, um membro do grupo e ex-economista chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, disse que a região está sofrendo do que os economistas chamam de "parada repentina" do fluxo de crédito. George El Khouri Andolfato

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