Petrobras está otimista quanto a novos campos de petróleo

Jonathan Wheatley

A Petrobras deverá divulgar o seu plano estratégico para 2009-2013, após três meses de adiamentos seguidos provocados pela extrema volatilidade que atingiu recentemente os preços do petróleo e pela crise nos mercados globais de crédito.

No entanto, o presidente da empresa, Sérgio Gabrielli, disse ao "Financial Times" que a companhia petrolífera controlada pelo governo demonstrará a sua capacidade de investir durante períodos turbulentos.

O plano deverá fornecer mais detalhes a respeito de como a Petrobras explorará os chamados campos pré-sal, uma formação de reservas petrolíferas descoberta em 2007, por debaixo de até 7.000 metros de mar, rocha e uma camada de sal grossa, volátil e de difícil penetração.

Os campos representam uma das poucas oportunidades para que qualquer companhia petrolífera do mundo explore novas reservas substanciais nos próximos anos. Eles provavelmente colocarão o Brasil no grupo das nações produtoras de petróleo. Esse petróleo é bem mais leve, e de melhor qualidade, do que o produto mais pesado geralmente encontrado no Brasil, e oferece um grande potencial para a exportação.

Até o momento a Petrobras divulgou estimativas quanto ao petróleo passível de ser explorado referentes a apenas três das dezenas de campos individuais nessa formação geológica: Tupi, que teria de 5 bilhões a 8 bilhões de barris; Iara, de 3 bilhões a 4 bilhões; e Jubarte, de 1,5 bilhão a 2 bilhões.

A empresa recusa-se a fazer especulações sobre a formação como um todo, embora autoridades do governo tenham falado de mais de 100 bilhões de barris que viriam somar-se às atuais reservas brasileiras de 14,4 bilhões de barris de petróleo e o equivalente em gás natural.

A Petrobras divulga a cada ano planos referentes aos cinco anos seguintes. Um elemento central destes planos sempre foi uma estimativa bastante conservadora do preço do petróleo no período. Mas, neste ano, esse elemento pode estar ausente.

"Nós chegamos a um preço, mas ainda não decidimos se o revelaremos ou não", afirma Gabrielli, acrescentando que esta decisão deverá ser tomada durante uma reunião da diretoria - que inclui membros do governo - em 19 de dezembro.

"Temos mais de 600 projetos sendo reavaliados neste momento", diz ele. "Esperamos concluí-los a tempo para a reunião".

Atualmente a Petrobras está executando projetos elaborados sob planos anteriores, baseados no petróleo a US$ 16 o barril. O atual plano assume um preço de US$ 35 o barril - apenas US$ 10 inferior ao preço atual, mas menos de um quarto dos preços máximos registrados apenas alguns meses atrás. "Os projetos que estão em andamento são muito rentáveis, e nós contamos com um fluxo de capital muito bom".

Porém, Gabrielli admite que a Petrobras alterou as suas prioridades em relação aos campos pré-sal e que está se concentrando na maximização do fluxo monetário de curto prazo enquanto tenta também impulsionar planos de longo prazo.

Até recentemente, a maior parte das atenções referentes aos campos pré-sal concentrava-se em uma área ao largo da costa do Estado de São Paulo, a cerca de 300 quilômetros do litoral e em profundidades de aproximadamente 7.000 metros.

Mas testes recentes realizados cerca de 800 quilômetros ao norte revelaram reservas com alta pressão a menos de 80 quilômetros da costa, abaixo de outras que já estão em operação, e que ficam sobre a camada de sal.

"A produção do petróleo pré-sal é mais barata do que a do petróleo pesado desta área", diz Gabrielli. "Acredito que implementaremos a produção ao máximo a fim de contar com fluxo de capital para financiar os campos pré-sal, cuja exploração, que é mais cara, ocorrerá no longo prazo".

Nas últimas semanas surgiram dúvidas repetidas quanto à capacidade da Petrobras de financiar as suas operações - incluindo a encomenda de plataformas e outros equipamentos dos recentemente moribundos estaleiros brasileiros - após o colapso dos mercados de crédito globais em meados de setembro.

O ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, insiste que a Petrobras mantenha os planos de construir quatro refinarias para permitir a exportação de produtos de valor agregado, em vez do petróleo cru das reservas pré-sal, que é mais leve.

Mas ele diz também que discutiu com autoridades chinesas um empréstimo de US$ 10 bilhões à Petrobras, uma quantia que aparentemente seria oferecida em troca da garantia das importações de petróleo pela China.

Eric Smith, do Instituto de Energia Tulane, em Nova Orleans, diz que os campos pré-sal provavelmente continuarão viáveis até mesmo com o petróleo custando US$ 40 o barril. Mas ele acredita que a exploração desses campos dar-se-á em um ritmo mais lento.

"Creio também que os planos para a construção de plataformas de perfuração e FPSOs (navios com capacidade para processar e armazenar o petróleo, e prover a transferência do petróleo ou gás natural) foram momentaneamente arquivados", diz ele.

Recentemente, a Petrobras contraiu um empréstimo de R$ 2 bilhões (US$ 864 milhões) junto à Caixa Econômica Federal, um banco estatal que empresta dinheiro principalmente a compradores de imóveis. A empresa tomará mais R$ 900 milhões emprestados da Caixa no mês que vem para cobrir impostos e outros pagamentos, diz Gabrielli. "Lembrem-se, neste momento os mercados internacionais estão fechados".

Ele acrescenta, no entanto, que as necessidades financeiras da companhia são "pequenas".

A Petrobras não fará nenhum pagamento significativo de dívidas nos próximos dois anos, e conta com uma dívida bruta de US$ 25 bilhões, uma reserva de US$ 8 bilhões e rendimentos anuais no valor de R$ 220 bilhões. UOL

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