MAN comprará unidade de caminhões da VW Brasil

John Reed
Em Londres

A MAN concordou em comprar a unidade de caminhões e ônibus da Volkswagen Brasil, em uma ação que ampliará sua escala global e marcará um passo na consolidação do setor.

O grupo de engenharia e fabricação de caminhões, com sede em Munique, não informou quanto pagou pelo negócio, que ele disse que valia US$ 1,6 bilhão. A transferência ocorrerá em 1º de janeiro.

A VW é a maior fabricante de caminhões do Brasil, com 30% de participação de mercado.

O negócio ampliará a escala e presença geográfica da MAN, ao adicionar cerca de 50 mil unidades às cerca de 100 mil que a empresa planeja produzir na Europa neste ano, criando um negócio com volume de 2 bilhões de euros.

"Os caminhões VW agora fazem parte da MAN, e há um agente a menos no mundo", disse, Håkan Samuelsson, o presidente-executivo da MAN, ao "Financial Times" na segunda-feira.

Martin Winterkorn, o presidente-executivo da VW, disse que a decisão marcou um "passo lógico seguinte" para o setor de veículos comerciais da VW. A VW é dona de 29,9% da MAN, aquém da participação acionária necessária para fazer uma oferta pelas ações restantes.

Analistas disseram que a aquisição pode marcar o primeiro passo para uma há muito esperada tripla união com a Scania, como defendido por Ferdinand Piech, presidente do conselho administrativo da VW.

A MAN, cujo maior acionista é a VW, liderou uma tentativa fracassada de comprar a Scania no ano passado, para a qual a consolidação da grande divisão brasileira de caminhões da empresa automotiva alemã era algo chave. A VW posteriormente comprou o controle acionário da Scania, e agora é dona de dois terços de suas ações.

O entusiasmo de Piech pela consolidação no setor de caminhões não é compartilhado por muitos de seus colegas no conselho supervisor da VW.

A especulação sobre a possível união entre as três fabricantes de caminhões esfriou no ano passado e a MAN e a Scania, como suas concorrentes, sofreram queda de encomendas de veículos.

A própria VW atualmente está em processo de ser adquirida pela Porsche, a fabricante de carros esporte.

"Isso pode indicar que a direção da VW está pensando em manter a divisão de caminhões separada da própria VW", disse Max Warburton, analista da Sanford Bernstein. "Há muito medo entre os investidores de que ela se tornaria uma operação integrada de carros e caminhões."

Samuelsson se recusou a comentar sobre o que chamou de "especulação" em torno de novos passos dados pela VW ou pela MAN. "Este é um negócio isolado que é bom para a MAN e para a VW Brasil, e é por isso que o fizemos", ele disse.

A VW disse que sua participação acionária na MAN permitiria que a fabricante de automóveis e seus acionistas "continuem lucrando indiretamente" com o crescimento da divisão de veículos comerciais.

Samuelsson disse que as duas fabricantes de caminhões compartilhariam componentes, eixos e chassis, e procurariam trabalhar juntas em motores.

A MAN também possui uma joint venture na Índia e é uma das principais marcas importadas na Rússia. George El Khouri Andolfato

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