Economias emergentes enfrentam corrida pelo crédito

David Oakley
Em Londres

Volumes recordes de títulos do governo de países industrializados - com a intenção de reverter o que poderia ser a pior recessão desde a Grande Depressão - ameaçam restringir o acesso aos mercados de crédito por parte das economias emergentes.

Analistas alertam para o fato de que os mercados emergentes podem ficar de fora dos mercados de crédito por conta de cerca de US$ 3 trilhões em títulos do governo que deverão ser emitidos pelas grandes economias desenvolvidas em 2009 - três vezes mais do que em 2008. Só os Estados Unidos devem emitir cerca de US$ 2 trilhões no ano que vem.

Nick Chamie, chefe de pesquisa sobre mercados emergentes na RBC Capital Markets, disse: "Em termos simples, haverá mais emissores brigando por uma quantidade limitada de capital".

Corporações e governos de mercados emergentes precisam pagar novamente US$ 6.865 bilhões em dívidas em 2009, de acordo com o ING Wholesale Banking. Isso inclui títulos, empréstimos, juros e trocas financeiras.

David Spegel, chefe global de estratégia nos mercados emergentes do ING, disse: "O risco de refinanciamento será um dos maiores problemas para os emissores dos mercados emergentes em 2009".

"A inadimplência soberana é pouco provável, mas muitas companhias poderão enfrentar inadimplência ou reestruturação de débitos".

Segundo Chamie, "governos ou companhias que são bem colocados ainda poderão atrair compradores, mas a grande quantidade de emissões quase certamente significa que eles terão de pagar juros mais altos para conseguir os investidores".

Brasil, Rússia, Índia e China enfrentam pagamentos de dívida externa de US$ 205 bilhões, US$ 605 bilhões, US$ 257 bilhões e US$ 2,437 bilhões, respectivamente, mas podem se valer de grandes reservas de câmbio internacionais para ajudar a pagar as contas.

A Argentina tem US$ 64 bilhões de dívida externa vencendo em 2009; a Turquia tem US$ 36 bilhões prestes a vencer.

Países como a Hungria e a Ucrânia já receberam ajuda do Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu.
Eloise De Vylder

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