Insulina produzida em plantas pode ajudar a satisfazer a demanda de diabéticos

Clive Cookson
Em Londres

O primeiro ensaio clínico mundial com a insulina humana produzida em plantas está sendo iniciado no Reino Unido. O objeto é fornecer uma nova fonte de insulina para atender à demanda dos diabéticos que cresce rapidamente.

Uma empresa de biotecnologia canadense chamada SemBioSys desenvolveu uma variedade de açafroa geneticamente modificada que produz altas concentrações de insulina humana em suas sementes. (A açafroa é uma planta espinhosa com grandes flores amarelas, que é uma fonte menor de óleos de sementes.)

Um grupo de 30 voluntários saudáveis está participando do ensaio inicial, que está sendo coordenado em Manchester pela Icon, uma empresa de pesquisa contratada.

Este é um marco importante para a indústria nascente de "bio-fazendas", cuja meta é eventualmente produzir uma variedade de moléculas humanas úteis em espécies vegetais geneticamente modificadas. Apesar de vários desses produtos farmacêuticos estarem sendo desenvolvidos, nenhum atingiu o mercado ainda -e a insulina pode ser o primeiro, diz Andrew Baum, diretor executivo da SemBioSys.

O propósito do ensaio é demonstrar que a insulina derivada da açafroa tem exatamente os mesmos efeitos nos níveis de açúcar no sangue que a insulina comercial, que é produzida principalmente por culturas de bactérias geneticamente modificadas em enormes fermentadores. (A fonte animal tradicional de insulina foi praticamente eliminada.) A Eli Lilly dos EUA e a Novo Nordisk da Dinamarca são as maiores fabricantes mundiais de insulina. A comprovação de "bio-equivalência" será essencial para que as agências reguladoras como a Agência Européia de Remédios e o Departamento de Alimentos e Drogas dos EUA (FDA) aprovem a venda a insulina produzida por plantas.

Após o ensaio no Reino Unido, cujos resultados estarão disponíveis em seis meses, haverá testes mais amplos com pacientes diabéticos. O produto poderá estar à venda dentro de quatro anos, diz Baum.

A SemBioSys selecionou a açafroa como planta produtora porque precisava de uma espécie com sementes ricas em óleo, das quais a insulina pudesse facilmente ser extraída. Deborah Weinberg

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