Um gosto por viagens e salada de piranha

Virginia Matthews
Do Financial Times

Diante dos alimentos locais exóticos e da falta de exercícios, o viajante criativo encontra formas simples de manter a saúde.

Cruzar fusos horários, viver a partir de uma mala e comer alimentos pouco familiares, como assado de urso (Rússia) ou salada de piranha (Brasil), podem provocar um caos na dieta e na boa forma.

Entretanto, viajantes experientes aprendem a adotar resoluções de saúde simples para tornar a vida na estrada mais confortável, mesmo nos locais mais remotos.

Considere a experiência de Wim Verheugt, diretor regional da Europa Oriental da firma de consultoria Mott MacDonald, que voltou recentemente de uma excursão pela Sibéria e Mongólia.

Enviado para desenvolver um plano de proteção contra o leopardo da neve para o Worldwide Fund for Nature, Verheugt contou que sua viagem envolveu dormir em uma tenda tradicional mongólica por duas semanas com nove vaqueiros e comer gordura de carneiro com shimin-arikh, vodka com leite de égua.

Quando suas cinco porções diárias de frutas e legumes tornaram-se uma lembrança distante, em temperaturas abaixo de 20 °C, ele manteve uma rotina de exercícios e recusou-se a ser difícil para comer. "No que diz respeito a comer com seus anfitriões, meu conselho é aceitar e experimentar tudo o que é colocado em seu prato", diz ele. "Se você realmente não gostar de comidas estranhas ou de se surpreender com o que você consegue engolir, então deve parar de viajar para o exterior a negócios."

Jessica Colling, diretora de produtos da firma de consultoria para saúde e bem-estar Vielife, diz que muitos viajantes a negócios adquirem estratégias, como levar lanches em viagens longas ou se expor à luz do sol na chegada para apressar o relógio biológico a se acertar, enquanto os óculos escuros fazem o corpo pensar que é noite.

Entretanto, ela admite: "A maior parte dos gerentes em cargos medianos têm que encontrar uma forma de lidar com a falta de oportunidades de exercício e com a comida estranha, mas diretores têm muito maior capacidade de escolher hotéis com academia de ginástica ou de dizer não à cozinha local".

Entretanto, nem sempre é assim. Brian Puffer, diretor de petróleo e gás muito viajado da PwC, no Reino Unido, trabalhou em mais de 60 países, inclusive China, Angola e Etiópia. Além de um recente "pesadelo de voo", no qual uma confusão de bilhetes colocou o executivo de 1m93 em um assento do meio, ele diz que se exercitar, em geral, é difícil.

"Tendo a ir para lugares onde seria inseguro caminhar e, até recentemente, minha saúde realmente estava sofrendo", diz ele. "Hoje em dia, se tiver acesso a um espaço de ginástica, faço meus trinta minutos de exercício todos os dias. Se estiver em algum lugar fechado como em Angola, faço vinte minutos de treinamento de resistência no meu quarto de hotel, usando nada mais do que uma faixa de Thera-Band". A faixa de látex para exercícios de resistência viaja com Puffer.

Em relação à alimentação, ele se atém aos produtos locais. "Minha única regra é ter visto o que está meu prato antes. Se eu não vir uma única vaca em minha viagem, não como bife", diz ele. "Já fui bastante surpreendido por algumas das coisas servidas, mas se eu garantir minha água mineral e suplementos vitamínicos, sei que estarei bem."

Graeme Stewart, engenheiro da empresa Ramboll Whitbybird, que recentemente terminou uma estadia 18 meses em Abu Dhabi para gerenciar o projeto do parque temático da Ferrari, não está disposto a repetir suas noites árabes: "A comida gordurosa e as academias de ginástica caras me fizeram engordar 8kg. Quando você está em um país quente onde todo mundo fica sentado o dia todo em um escritório ou em um carro, pode ser realmente difícil manter qualquer tipo de exercício."

Apesar de parte da comida ter se provado exótica demais para seu gosto, Stewart diz que seu atual cargo na Polônia está se provando igualmente desafiador em termos de cozinha. "Um dos pratos tradicionais aqui é o flaczki, sopa de tripas", diz ele. "A princípio, experimentei para não ser rude, mas passei a gostar de fato."

Tradução: Deborah Weinberg Deborah Weinberg

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