Uma Equipe Obama com todos os talentos

Editorial do Financial Times

Algumas das pessoas que no ano passado fizeram campanha para Barack Obama estão desapontadas com os nomes escolhidos para ocupar cargos de alto escalão. O presidente eleito deu os cargos principais a centristas e veteranos do governo Bill Clinton. A esquerda do Partido Democrata sente-se negligenciada, e teme que o governo Obama não tenha a intenção de promover uma reforma radical.

A surpresa deles é surpreendente. Na certa eles estavam contando com uma insinceridade do seu candidato. O presidente eleito fez a sua campanha como um centrista e um construtor de consenso. Até onde se pode avaliar - e, é preciso admitir, como ele ainda não é presidente, é um pouco cedo para dizer -, Obama realmente falava sério. As suas nomeações demonstram que ele dá mais valor à experiência e ao conhecimento do que à lealdade à sua tribo política. Esta era uma característica notavelmente ausente no governo Bush. Trata-se de uma inovação bem-vinda.

Além do mais, não dá ainda para suspeitar que Obama tenha ofendido deliberadamente a esquerda com o propósito de ganhar o apoio dos outros grupos (uma tática favorita de Tony Blair). A sua reserva de capital político ainda é tão vasta que tal manobra ainda não é necessária. Ele deparou-se com alguma resistência cortês por parte dos democratas de Capitol Hill a respeito do seu plano de estímulo fiscal - mas Obama não está comprando brigas com a esquerda democrata meramente para marcar uma posição política. Ele deseja executar seus planos, e quer o maior apoio possível.

Porém, as nomeações geram uma preocupação mais justificada. Em diversos casos, Obama nomeou, ao mesmo tempo, um membro do gabinete e um assessor da Casa Branca, ou "tsar" para a fiscalização de políticas. Ele possui tsares para os setores de segurança nacional, política econômica, contra-terrorismo, regulação, energia e meio ambiente, e, segundo se sabe, muitas nomeações do gênero ainda estão por vir. Em cada um dos casos, as áreas de responsabilidade são duplicadas ou superpõem-se a um ou mais chefes relevantes de gabinete.

De certa forma, isto continua sendo algo consistente com o estilo de governo prometido por Obama. Ele pretende receber conselhos de uma ampla gama de especialistas, expondo as suas próprias ideias e as dos seus secretários às divergências. Tudo bem. Em muitos casos é necessária também uma melhor coordenação entre departamentos, e este será um dos papéis principais de alguns dos seus assessores. Mas os riscos são óbvios. Trata-se de mais uma camada burocrática. Ela multiplica os pontos de fricção em torno da presidência. Subordina e ameaça excluir os chefes de gabinete de uma forma que fará com que eles lutem para resistir. E aumenta o peso do fardo gerencial que o próprio Obama precisa carregar.

Esse modelo está estabelecido há muito tempo na política externa. Ele não foi um sucesso notável durante a era Bush. Veremos se Obama será capaz de fazer com que tal modelo funcione melhor.

Tradução: UOL

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