Mundo espera que Obama conserte economia

Do Financial Times

Todos os continentes e regiões do planeta já estão preparando as suas listas de desejos para o novo presidente dos Estados Unidos.

Em comum, os países dividem o entusiasmo como a novidade e o desejo de uma economia mais estável.

Ásia
Não é com frequência que a Ásia fala em uníssono, mas há algo quanto ao qual os asiáticos concordam: eles desejam antes de mais nada um governo Obama que coloque ordem na economia e no sistema bancário dos Estados Unidos.

Metade dos produtos da Ásia é exportada para fora do continente, e pouquíssimas economias asiáticas prosperariam sem uma recuperação da demanda norte-americana. A China e o Japão querem também a restauração da credibilidade financeira dos Estados Unidos, já que uma queda drástica do dólar provocaria prejuízos sobre as suas grandes reservas de ações do tesouro norte-americano.

Os asiáticos estão nervosos devido à possibilidade de que um presidente democrata, encorajado por sindicatos trabalhistas e pelo aumento do desemprego, sinta-se tentado a apelar para o protecionismo. Qualquer retórica mais ríspida ou medida comercial mais dura contra a China poderia resultar em uma contra-ofensiva por parte de Pequim.

Com relação às questões de segurança regional, a Ásia deseja uma ação positiva por parte dos Estados Unidos para impedir que zonas potencialmente problemáticas explodam em conflito. A Ásia desejará apoio dos Estados Unidos no processo de desnuclearização da Coreia do Norte, na mediação das relações tensas entre Índia e Paquistão, e nas medidas para a consolidação de melhores relações entre Taiwan e China.

A Ásia beneficiaria-se também com uma abordagem mais positiva do mundo muçulmano por parte de Washington. O fechamento do centro de detenção na Base de Guantánamo seria bem recebido, e as economias asiáticas dependentes de petróleo esperam que Obama evite qualquer aventura estabanada no Oriente Médio.

Europa
Os europeus estão quase tão entusiasmados em relação a Barack Obama quanto os norte-americanos que encherão hoje as ruas de Washington para saudar o seu novo presidente. Mas as esperanças da Europa estão misturadas à percepção de que as expectativas em relação a Obama são irrealisticamente elevadas.

Não obstante, a Europa está esperando acima de tudo que Obama interrompa o declínio da economia dos Estados Unidos e estabilize o sistema financeiro. Os europeus esperam que o pacote fiscal de US$ 800 bilhões ( ? 608 bilhões, £ 551 bilhões) proposto por Obama possibilite que a maior economia do mundo dê uma volta por cima, arrastando a Europa atrás de si.

Os europeus querem ainda que os Estados Unidos cooperem com a reforma das regulações financeiras. A França e a Alemanha deixaram claro que esperam que os Estados Unidos apoie um papel maior para o Fundo Monetário Internacional (FMI) na monitoração e regulação de mercados, na reforma dos padrões prudentes de conduta e contabilidade, na regulação da indústria de fundos hedge e na restrição aos paraísos fiscais.

Além disso, esses países esperam que o governo Obama enfrente com seriedade a mudança climática e volte a interagir com o mundo como um parceiro multilateral da União Europeia.

A Europa também deseja que os Estados Unidos pressionem mais energicamente o governo israelense para que este promova uma paz duradoura com os palestinos, revejam a sua estratégia no Afeganistão e discutam com o Irã a fim de garantir o fim do programa nuclear iraniano.

Oriente Médio
A onda de entusiasmo presenciada no Oriente Médio com a eleição de Obama começou a diminuir após o Natal, quando Israel lançou a sua ofensiva contra a Faixa de Gaza e a equipe do novo presidente manteve-se silenciosa diante do fato.

Mesmo nos períodos mais favoráveis o Oriente Médio apresenta expectativas tão conflitantes e disputas tão complexas que Obama está fadado a desapontar. Embora naquela região o poder dos Estados Unidos seja percebido como estando em franco declínio, todos ainda voltam-se para Washington para a resolução dos seus problemas.

Israel está esperando que Obama seja tão "imutável" quanto George W. Bush no apoio ao país. Mas seria um desafio para Obama apoiar Israel com a mesma intensidade de Bush. Os vizinhos árabes de Israel estão felizes por se verem livres de Bush, e pedem que um novo governo Obama seja mais imparcial na sua abordagem do conflito árabe-israelense.
O Iraque, ainda frágil, não vê a hora de as tropas norte-americanas deixarem o país, mas ao mesmo tempo deseja que estas permaneçam até que o novo regime de Bagdá esteja pronto para governar a si próprio. A Síria vê em Obama a esperança de um fim do seu isolamento internacional.

E há ainda o Irã, que provavelmente constituir-se-á no teste de política externa mais difícil para o governo Obama. Teerã está se preparando para um novo relacionamento com os Estados Unidos, mas por ora os iranianos desejam um Estados Unidos mais cooperativo, um papel regional para si próprios e, o mais importante, o direito de prosseguir com o seu polêmico programa nuclear.

América Latina
Os latino-americanos gostam do visual de Obama e daquilo que ele diz. O primeiro presidente negro dos Estados Unidos beneficia-se com o fato de não ser George W. Bush. Apesar de ianque, ele conta com a simpatia de um grande número de latino-americanos descendentes de índios ou africanos.

Para alguns líderes, incluindo Hugo Chávez, da Venezuela, um esquerdista que construiu a sua carreira política atacando o "império" estadunidense, Obama representa dificuldades. "Espero estar errado, mas acredito que Obama tem o mesmo fedor que Bush", teria dito ele na semana passada, de acordo com a agência de notícias Reuters.

Por outro lado, as políticas dos Estados Unidos quanto às questões das drogas, imigração, comércio e Cuba parecem ser promissoras. Os governos latino-americanos esperam uma linha mais branda em relação à Cuba - e até mesmo um fim do embargo - ,e rezam para que os vínculos de Obama com os sindicatos não signifique mais protecionismo.

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