Mundo em recessão: otimismo afunda nos países do Bric

Ralph Atkins
Em Frankfurt

A confiança nas perspectivas para os negócios este ano afundou dramaticamente no setor manufatureiro do Brasil, Rússia, Índia e China, no sinal mais recente de que a crise econômica global continua se ampliando.

A queda brusca do otimismo nos países conhecidos como Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) veio ao mesmo tempo em que a confiança se deteriorou ainda mais nos países da União Européia, de acordo com a última pesquisa de negócios KPMG/Markit. Os resultados sugerem que os efeitos paralisantes do colapso na atividade econômica nas maiores economias industriais do mundo no final do ano passado continuam atuando.

"Aí se foi a separação", disse Andrew Smith, economista-chefe do KPMG.
"A gravidade da fraqueza atual nos EUA, Europa e Japão está afetando clara e duramente os setores externos das economias do Bric à medida que as demandas de exportação e os investimentos estrangeiros enfraquecem".

A pesquisa monitorou a tendência nas atividades de 1.800 indústrias dos Bric, subtraindo o número de companhias que preveem um declínio de atividade nos próximos 12 meses do número que espera um aumento.

Em janeiro, esse "balanço final" caiu para apenas 3,5, comparado com o índice de 47 em julho passado ou de 64 em janeiro de 2008. A última leitura mostrou que o número de companhias que esperam um aumento de atividade é apenas um pouco maior do que as que esperam um declínio.

Apesar de o nível de pessimismo não ser tão grande quanto na União Europeia, "está claro que a indústria dos Brics está esperando um período de expansão bem mais fraca - uma recessão em tudo menos no nome para economias que estão acostumadas com taxas de crescimento muito altas", disse Smith.

Entre os quatro países, o sentimento está mais positivo na Rússia, mas o último balanço final mostrou uma taxa de 21,2 para o país, bem abaixo dos 63,2 registrados em julho passado. O pessimismo é maior no Brasil.

As companhias dos Brics também preveem um declínio nos lucros, levando-as a reduzir os planos de investimento.

Na UE, mais companhias esperam que os negócios se contraiam nos próximos 12 meses do que as que esperam que a atividade aumente, com o balanço final caindo de 14,1 em julho para menos 10,2.

Entre os 11 países pesquisados na União Européia, apenas três - Itália, Reino Unido e Polônia - registraram balanços finais positivos.
O pessimismo foi mais profundo na República Tcheca e Grécia, que tiveram balanços negativos de 47,1 e 30,6.

A desaceleração na Europa também está afetando cada vez mais o mercado de trabalho.

O balanço final das companhias europeias que esperam aumentar o número de empregos caiu de menos 6,9 em julho para menos 35,4 na última pesquisa. Eloise De Vylder

UOL Cursos Online

Todos os cursos