Déjà vu... mas com uma diferença

Jonathan Wheatley
Em São Paulo

Alan Beattie
Em Washington

Frequentemente atingido por crises financeiras, o Brasil é um mercado emergente que agora enfrenta um novo conjunto de problemas devido à contração do crédito.

No início desta década, as dificuldades para atrair capital para cobrir déficits em conta corrente e fiscal ameaçavam criar uma crise clássica de dívida e moeda. Em 2002, o Brasil foi forçado a pegar o maior empréstimo de resgate da história do Fundo Monetário Internacional. Hoje, com superávits há anos, tem cerca de US$ 200 bilhões (em torno de R$ 400 bilhões) em reservas em moeda estrangeira e é considerado suficientemente estável para pegar empréstimos via acordos de swap especiais com o banco central americano, o Federal Reserve.

Ainda assim, temores de recessão deixaram os bancos relutantes em emprestar e, como em 2002, as empresas brasileiras foram prejudicadas por uma falta súbita de financiamento. Com o capital estrangeiro em falta, o Brasil teve que preencher a lacuna sozinho. Desde setembro, o Banco Central disponibilizou R$ 100 bilhões de requerimentos de reserva -sua partilha dos depósitos bancários obrigatoriamente guardada no Banco Central- em uma tentativa de estimular o empréstimo.

Em outubro, disse que ia vender até US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 100 bilhões) em derivativos para ajudar empresas presas com a falta de liquidez. Cerca de US$ 16 bilhões (R$ 32 bilhões) até agora foram desembolsados. No mês passado, disse que ia emprestar até US$ 36 bilhões (em torno de R$ 72 bilhões) de suas reservas internacionais para empresas com dívidas no exterior vencendo até o final de 2009.

As organizações multilaterais novamente ajudaram. A Corporação de Finanças Internacionais do Banco Mundial está abrindo uma linha de crédito de US$ 60 milhões (aproximadamente R$ 120 milhões) para o Unibanco, um dos maiores bancos do Brasil, para reforçar o financiamento comercial.

Tradução: Deborah Weinberg

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