Berlusconi ressuscita plano de ponte até a Sicília como saída para a crise

Guy Dinmore Em Roma

Revivendo um sonho antigo de ligar a Sicília ao restante da Itália, o governo de centro-direita de Silvio Berlusconi ressuscitou na sexta-feira um projeto controverso de construção da maior ponte suspensa do mundo, como parte de um pacote de infra-estrutura voltado a reanimar a economia nacional.

Uma comissão do governo aprovou um gasto público de 1,3 bilhão de euros para a ponte, de um custo total estimado em 6,1 bilhões, com o restante a ser levantado junto ao setor privado.

O governo anterior de Berlusconi tentou lançar o projeto, mas ele foi engavetado em 2006 pelo governo de centro-esquerda que estava assumindo, por considerá-lo caro demais, desnecessário e vulnerável a subcontratos para a máfia siciliana e, do outro lado do mar, para a 'Ndrangheta, a máfia da Calábria.

Mas a forte vitória eleitoral da coalizão de Berlusconi no ano passado - e a remoção dos verdes do Parlamento - abriu de novo o caminho, com uma desaceleração econômica tão profunda quanto o Estreito de Messina servindo como argumento. Berlusconi também tem importantes aliados políticos na Sicília e uma forte presença da ilha no gabinete, com sicilianos ocupando as pastas do Meio Ambiente e da Justiça.

Renato Schifani, o presidente do Senado e um siciliano, declarou na sexta-feira que o projeto é de enorme importância para todo o sul da Itália em depressão.

As ações da Impregilio, a empresa de construção à qual foi concedido o projeto, subiram 0,5% na Bolsa de Milão enquanto o mercado em geral caiu 3,8%.

Os críticos apontam que uma estrada para a Calábria ainda não foi concluída após décadas de construção e escândalos.

A ponte suspensa teria o trecho de vão mais longo do mundo, com 3.300 metros. A área é propensa a terremotos, ventos fortes e até ondas de maremoto, mas os responsáveis pelo projeto Stretto di Messina dizem que estes problemas são todos superáveis.

Por séculos, estadistas, inventores e poetas sonharam com uma travessia segura pelas águas onde, há quase 3 mil anos, o poeta grego Homero escreveu o ataque dos monstros Cila e Caríbdis a Odisseu.

Entretanto, Fabrizio Antonioli, um geólogo, contestou a viabilidade do projeto como está no momento. Em um trabalho publicado, ele argumentou que o projeto não levou em consideração o movimento das duas massas de terra. O sul da Calábria - o "bico" da bota da península italiana - está se erguendo a uma taxa de 2 mm por ano, enquanto a Sicília está subindo a uma taxa de apenas 0,5 mm. Dados de GPS mostram que a Calábria também está se movendo para nordeste, enquanto a Sicília está se deslocando para noroeste, com a distância aumentando em 3 mm por ano.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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