No Reino Unido, os homens perdem emprego duas vezes mais rápido que as mulheres

Megan Murphy Financial Times

Os homens estão perdendo os seus empregos em um ritmo duas vezes mais elevado do que as mulheres, o que tem gerado dúvidas quanto às alegações de que as mulheres estariam sendo mais atingidas pela crise econômica global.

Os números do mercado de trabalho do Reino Unido, divulgados na sexta-feira (06/03) pelo Departamento de Estatísticas Nacionais com vistas ao Dia da Mulher, sugerem que a recessão teve menos impacto sobre as mulheres trabalhadoras do que sobre os homens.

Os números provavelmente intensificarão o acalorado debate político sobre qual dos sexos está sofrendo mais com a crise. Segundo especialistas, um recente conjunto de dados divulgado por vários grupos fez com que ficasse difícil entender claramente como as mulheres estão se saindo durante a recessão.

Harriet Harman, a ministra da Igualdade, utilizou nesta semana pesquisas que revelam que a mulher se sente especialmente vulnerável durante crises financeiras para lançar a campanha do governo "Real Help Now For Women" ("Auxílio Real Agora para as Mulheres"), prometendo apoiar aquelas que foram atingidas pela crise de crédito.

Harman disse ao parlamento que as mulheres, que têm maior probabilidade de trabalhar menos de 40 horas por semana e ainda são as que mais arcam com os cuidados com os filhos na maior parte das famílias, precisam receber "todo o apoio que pudermos oferecer". Ela disse: "Tanto os homens quanto as mulheres estão preocupados com o efeito da crise econômica global sobre a nossa economia. Os homens estão preocupados com os seus empregos... mas parece que as mulheres estão ainda mais preocupada".

A Sociedade Fawcett, o grupo de defesa dos direitos das mulheres, ecoou essas preocupações em um recente relatório que enfatizou os obstáculos representados por uma enraizada lacuna entre o valor dos salários pagos a cada um dos sexos - uma lacuna que atualmente é de 17,1 % para trabalhadores de tempo integral - bem como pela discriminação da gravidez e da maternidade.

No entanto, os números do Departamento de Estatísticas Nacionais apresentam um quadro mais animador, revelando que a taxa de demissões entre as mulheres foi de 6,6 por 1.000 trabalhadoras no último trimestre de 2008, menos de metade do número registrado para os homens, que foi de 13,6 por 1.000 trabalhadores.

O índice de desemprego para as mulheres também aumentou a um ritmo menor, passando de 0,3% no terceiro trimestre de 2008 para 5,5% no quarto trimestre. Para os homens, o aumento no mesmo período foi de 0,6% para 6,9%.

"O desaquecimento econômico em 2008 atingiu menos as mulheres trabalhadoras do que os homens", afirma o departamento.

O Instituto de Desenvolvimento Pessoal afirma que os números são um lembrete para o governo e a população de que é preciso ter cautela quanto "aos argumentos apresentados por diversos grupos com interesses específicos".

"O instituto tem visto com ceticismo a alegação comum de que as mulheres sofrem mais do que os homens no mercado de trabalho durante a atual recessão", afirma John Philpott, economista da organização. "À medida que a recessão se aprofunda e fica mais longa, os políticos e a mídia são bombardeados por grupos de lobby que alegam que este ou aquele grupo demográfico exige atenção especial. Até hoje, os grupos de defesa dos direitos das mulheres e dos trabalhadores mais velhos são os que têm feito maior barulho, embora, ironicamente, as evidências disponíveis indiquem que os grupos mais afetados pela perda de empregos são os homens e os jovens".

No entanto, a Sociedade Fawcett afirma que a avaliação do Instituto de Desenvolvimento Pessoal é enganosa. "As mulheres tradicionalmente apresentam os índices de desemprego e de demissão mais baixos devido a vários fatores. Por exemplo, é menos provável que elas sejam incluídas nas estatísticas de demissões, que só levam em conta os trabalhadores que estiveram empregados por pelo menos dois anos".

Tradução: UOL

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