Pubs britânicos têm de agir rápido para evitar falências

Stefan Stern

Os números surpreendem. A Associação Britânica de Bares e Cerveja diz que 39 bares fecham as portas a cada semana. As vendas de cerveja caíram para níveis que só foram vistos durante a depressão dos anos 30. Costumava-se dizer que a Inglaterra era um país de bebedores de cerveja. Parece que o país está abandonando o hábito.

O que aconteceu com o famoso "pub" britânico? Pode-se imaginar que administrar um bar seja uma coisa muito simples: servir a cerveja, receber o dinheiro. Mas é um trabalho muito mais difícil do que parece. Os gerentes de bares se veem pressionados. Um intenso debate gira em torno dos diferentes tipos de relacionamentos que os donos de bares têm com os seus administradores. Não há muito acordo em relação a qual tipo de relação funciona melhor.

Na Inglaterra, a propriedade de um bar acontece de três formas. Existem os chamados "estabelecimentos livres" (um terço do mercado), cuja propriedade e administração cabem a pessoas licenciadas. Existem os "estabelecimentos administrados" (um sexto do mercado), que pertencem a uma companhia de bares ou cervejaria que emprega gerentes e funcionários para administrá-las. E existem bares alugados ou arrendados (cerca de metade do mercado), que são propriedade de uma companhia de bares ou cervejaria e cobram aluguel de pessoas licenciadas que administram os estabelecimentos, em tese, como se fossem seu próprio negócio.

As estruturas de propriedade importam. Pode-se perceber imediatamente que administrar um desses diferentes tipos de negócio são tarefas diferentes. O gerente de um estabelecimento livre tem um senso claro de propriedade. É o seu negócio e de ninguém mais. A pessoa que gerencia um estabelecimento administrado é um empregado de uma companhia de bares ou cervejaria e faz parte de um todo maior. Deveria ser possível para o gerente estabelecer algum tipo de sentimento corporativo ou uma identidade e para ele e seus empregados trabalharem em direção a um objetivo comum.

O gerente que paga aluguel tem obrigações para com o dono do imóvel. É uma relação financeira acima de tudo. Os dois maiores proprietários do Reino Unido, Enterprise Inns e Punch Taverns, foram criticados por cobrarem aluguéis altos e preços altos para a cerveja e outras bebidas que o inquilino é obrigado a comprar deles. Uma tecnologia inteligente é usada para monitorar as vendas de cerveja do inquilino para assegurar que ele não busque fornecedores mais baratos em outros lugares.

Os grandes proprietários, cujos preços das ações caíram nos últimos meses, são os responsáveis pelo seu próprio infortúnio. Ambos escolheram o caminho que estava na moda, e tomaram muito dinheiro emprestado para construir seus impérios de propriedades. Mas agora o fluxo de capital sobre o qual esses empréstimos foram baseados está secando.

Tim Martin, presidente do grupo de bares JD Wetherspoon, que é dono e gerente de seus bares, mostra pouca simpatia. Se não existe dinheiro de sobra para investir e manter as propriedades, e se os preços ficarem muito altos, acima da concorrência, não se surpreenda se eles perderem clientes, diz. Martin está vendendo cerveja a 99 centavos de libra a caneca. Porque ele pode.

Mas as companhias Enterprise e Punch parecem ser mais duas vítimas do culto aos empréstimos do século 21, e da maldição que Chris Higson, professor de contabilidade na London Business School, chama de "balancete tamanho zero".

Algumas tendências são difíceis de combater, não importa o quão brilhante seja um gerente. O estilo de vida mudou. As pessoas têm mais coisas para fazer nas horas vagas do que ir a um bar.

Os modelos de trabalho mudaram. Cada vez menos homens entram no bar no final do dia para sair muitas horas mais tarde. A sociedade mudou. Os clubes privados cresceram muito nos últimos anos, enquanto muitos bares perderam clientes. Não é mais permitido fumar nos pubs. Alguns dizem que isso também minou o apelo que os bares tinham para muitos ex-clientes.

E também existe o lado econômico. As pessoas têm menos dinheiro para gastar agora. Os supermercados, com seu amplo poder de compra, podem vender cerveja muito mais barata do que o bar da esquina. Os grandes supermercados já foram acusados de prejudicar os açougues, padarias e até os fabricantes de candelabros. Agora é a vez dos bares. As cervejarias e donos de bares fazem campanha, provavelmente em vão, por um corte nos impostos para a cerveja.

No nível mais básico, a crise nos diz algo sobre a dificuldade de manter os clientes quando os mercados e os gostos estão mudando. Mas os bares são uma das formas mais antigas de comércio conhecidas pelo homem. Existiam tavernas e bares de viajantes desde os tempos bíblicos. É tão difícil assim gerenciar um bar? Há um ditado em inglês que diz que o cúmulo da incompetência é a incapacidade de organizar uma cervejada numa cervejaria. Mas muitas pessoas estão tendo dificuldades para administrar os bares com sucesso.

Os pubs não têm que morrer. Alguns continuam populares e lotados. Num seminário na semana passada sobre o futuro dos bares britânicos, organizada pelo Instituto de Pesquisa em Políticas Públicas, uma proprietária de pubs premiada disse enfaticamente: "No fim das contas, isso é um negócio". A característica de um pub de sucesso, disse, é quando você entra e se sente "na casa de alguém" - você pode sentir a influência de um dono que se preocupa. Sir Rocco Forte uma vez me disse exatamente a mesma coisa sobre bons hotéis.

Os clientes mostram lealdade quando recebem sempre um tratamento que gostam e valorizam. É tão simples - e tão difícil - quanto isso. Mas para evitar que os bares vão à falência é necessária uma ação urgente. Para os gerentes de bares com dificuldades, a mensagem é clara:
corram, por favor, está na hora.

Tradução: Eloise De Vylder

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