Otan busca US$ 2 bi para bancar as forças afegãs, diz secretário-geral da aliança

James Blitz

A Otan está buscando US$ 2 bilhões por ano junto à comunidade internacional para reforçar as forças de segurança do Afeganistão, segundo Jaap de Hoop Scheffer, o secretário-geral da aliança.

O aumento do apoio aos planos americanos de expandir e manter o exército nacional e a polícia afegãos será uma questão central da conferência internacional de quarta-feira sobre o Afeganistão e no encontro de cúpula da Otan neste fim de semana, disse De Hoop Scheffer.

"Isto se trata de somas imensas de dinheiro", ele disse. "Os americanos realizarão muito treinamento, mas não é possível treinar as forças e não sustentá-las."

Um dos pontos principais da revisão americana da semana passada é o envio de 4 mil soldados americanos adicionais para o Afeganistão para treinamento das forças de segurança afegãs.

De Hoop Scheffer disse que outros países, particularmente aqueles de fora da aliança de 26 membros da Otan, devem fornecer fundos para o pagamento de salários e sustentar estas forças ao longo dos próximos cinco anos.

O "grande encontro" de quarta-feira de vizinhos do Afeganistão em Haia, que incluirá o Irã, será um momento simbólico. "Haia enviará uma mensagem poderosa de que não são apenas a Otan, a ONU e a União Europeia que estão engajados no Afeganistão, mas que uma comunidade maior está comprometida com seu futuro."

Uma tarefa central do encontro será fazer com que os governos se comprometam a fornecer os US$ 2 bilhões por ano para um fundo da Otan que sustentará os 134 mil soldados do exército afegão, disse De Hoop Scheffer. Até o momento, ele tem apenas US$ 25 milhões.

"Os principais países doadores potenciais - Japão, Arábia Saudita e os países do Golfo - estarão todos em Haia", ele disse. "Eu não estou dizendo que os recursos devem vir exclusivamente destes círculos. Mas é difícil ver como os aliados da Otan - dado os valores enormes que já gastam para manter as forças lá - podem contribuir para os US$ 2 bi ao ano. É impossível para eles."

Na cúpula da Otan em Estrasburgo e Kehl, na sexta-feira, De Hoop Scheffer buscará uma direção a respeito de como o treinamento deve ser coordenado, em meio aos sinais de que há tensões entre os americanos e franceses em torno da questão.

Os representantes da Otan dizem que os Estados Unidos estão buscando uma coordenação altamente centralizada de todas as missões de treinamento no Afeganistão, enquanto a França deseja que a União Europeia mantenha o controle do treinamento da polícia paramilitar.

"Eu gostaria de ver a criação de uma missão nacional de treinamento para o Afeganistão, onde dobraríamos a função do oficial de comando americano para fazê-lo trabalhar para o lado americano e para o lado da Otan", ele disse, acrescentando que uma missão desse tipo funcionou de forma eficaz no Iraque. "Mas há vozes que dizem que a União Europeia poderia assumir o treinamento da polícia separadamente. Eu preferiria que o treinamento ocorresse sob a Ntma, onde também poderia haver uma contribuição da UE."

De Hoop Scheffer deixou implícito que os Estados Unidos não esperam que os aliados europeus enviem um número significativo de soldados adicionais ao Afeganistão. "Os aliados europeus não têm como igualar os números americanos. Eles não podem enviar repentinamente uma brigada de combate aéreo com 100 helicópteros. Não é assim que funciona na UE."

Mas ele disse que os países membros da Otan devem concluir seus planos neste fim de semana para o envio de cerca de 4 mil soldados adicionais ao Afeganistão no meio deste ano, para garantir a segurança das eleições afegãs em 20 de agosto e um possível segundo turno em outubro. "Eu estou no processo de preparar isto e tenho esperança de que conseguiremos", ele acrescentou.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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