Barack Obama pede o apoio da Europa no conflito do Afeganistão

James Blitz e Ben Hall (em Estrasburgo)e Demetri Sevastopulo (em Washington)

O presidente Barack Obama fez na sexta-feira a sua exigência mais direta para que os países europeus enviem tropas de combate e forneçam apoio financeiro para ajudar a vencer a guerra no Afeganistão, alertando que os Estados Unidos precisam de "aliados fortes" caso queiram derrotar a Al-Qaeda e o Taleban.

Enquanto se preparava para participar de seu primeiro encontro de cúpula da Otan como presidente americano, no sábado, Obama disse ao público na França que os Estados Unidos decidiram aumentar seu envolvimento militar no Afeganistão - e que os europeus precisavam fazer o mesmo.

Em um discurso em Estrasburgo, um dos locais do encontro de cúpula do 60º aniversário da Otan no sábado, Obama reconheceu que os Estados Unidos e seus aliados não poderão vencer no Afeganistão apenas pela força das armas. "Não pode ser apenas uma estratégia militar", ele disse, notando que s Estados Unidos aceitaram que é preciso fazer muito mais para estimular a reconstrução e o desenvolvimento no Afeganistão.

"Mas haverá um componente militar nisso, e a Europa não pode simplesmente esperar que os Estados Unidos carreguem esse fardo sozinhos."

Em uma coletiva de imprensa conjunta com Nicolas Sarkozy, o presidente da França, ele repetiu o argumento, declarando: "Esta não é uma missão americana, esta é uma missão da Otan, esta é uma missão internacional".

Obama alertou que os europeus precisam entender que a vitória no Afeganistão é essencial caso os países ocidentais queiram garantir a segurança nacional nos anos vindouros. "É muito mais provável que a Al-Qaeda consiga lançar um ataque terrorista sério na Europa do que nos Estados Unidos, por causa da proximidade", ele disse.

Seus comentários ocorreram dias após os Estados Unidos realizarem uma ampla revisão de sua estratégia para o Afeganistão, no coração da qual se encontra um plano para aumentar o número de soldados americanos em 21 mil.

Isso elevará a presença de soldados americanos para cerca de 59 mil - quase o dobro da contribuição de outros países na missão da Otan.

Os Estados Unidos não esperam que os países europeus se comprometam no encontro de sábado a enviar um número significativo de soldados. Entretanto, falando ao lado de Sarkozy, Obama sugeriu que a Europa deve pensar mais seriamente em como desenvolver suas forças armadas no futuro.

"Nós gostaríamos de ver a Europa com uma capacidade de defesa bem mais robusta", ele disse. "Quanto mais capacidade vermos aqui na Europa, mais felizes os Estados Unidos estarão, mais eficazes serão nossas atividades coordenadas."

Os comentários de Obama sobre a ameaça da Al-Qaeda refletem a crescente preocupação em seu governo de que os países europeus não estão trabalhando arduamente o suficiente para explicar aos seus eleitores porque a vitória no Afeganistão é necessária.

O encontro de cúpula do sábado provavelmente verá os países da Otan se comprometendo a enviar até 4 mil soldados por um período de três meses, para monitorar as eleições afegãs em meados deste ano.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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