A luta contra o terrorismo no interior da Inglaterra

Andrew Bounds

O fato de uma árdua operação de vigilância contra uma dúzia de suspeitos de terrorismo ter sido comprometida por um erro em Londres provocará um irônico sorriso nos duramente pressionados policias das cidades do interior do Reino Unido.

Recursos para atividades contra-terroristas têm fluído para a capital desde os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, mas alguns dizem que outros grandes centros populacionais britânicos continuam vulneráveis.

"Londres não é dona do monopólio do terrorismo", advertiu Patrick Mercer, um parlamentar conservador que dirige a comissão de contra-terrorismo do parlamento, depois de uma tentativa fracassada de lançamento de um carro em chamas contra o aeroporto de Glasgow em 2007. Ele afirmou que a estratégia revista do governo para fazer frente à ameaça focaliza-se demais em Londres.

"Fico surpreso por ter se tornado tão normal o fato de concentrarmos tudo na capital, em vez de dar a mesma importância às outras regiões", disse Mercer no mês passado ao "Yorkshire Post". Ele questionou o fato de a estação de trem e metrô London Victoria contar com barreiras contra homens-bomba para impedir um ataque feito com uma van ou uma caminhonete, enquanto a estação de Victoria, em Manchester, não tem proteção alguma.

Já em 2000, quando um suposto complô para atacar o centro da cidade de Birmingham foi desmantelado antes mesmo de o nome Al Qaeda tornar-se conhecido, as cidades interioranas eram alvo de preocupação. Muitas delas possuem grandes comunidades muçulmanas, das quais uma pequena minoria foi radicalizada por grupos extremistas.

Os quatro extremistas suicidas que mataram 52 pessoas em um ônibus e no Metrô de Londres em 2005 vieram de Leeds. Alguns muçulmanos moderados apelidaram a segunda maior cidade da Grã-Bretanha de "Birminghamabad" devido aos elementos radicais que vivem na comunidade imigrante paquistanesa.

Embora o suposto complô que está sendo investigado tenha envolvido paquistaneses enviados ao Reino Unido, ainda existem preocupações quanto a britânicos treinados em campos jihadistas na Ásia ou radicalizados pela Internet ou em mesquitas.

De 2001 a 2008 houve mais de 1.450 detenções relacionadas ao terrorismo no Reino Unido, e quase 200 condenações. Em 31 de março de 2008, havia mais de 120 pessoas em prisões na Inglaterra e no País de Gales que foram condenadas por atos terroristas ou crimes vinculados ao terrorismo.

A atualização feita em março pelo Home Office (o Ministério das Relações Exteriores da Inglaterra) da sua estratégia anti-terrorista "Contest" admite que é preciso adotar mais medidas no nível local.

"Em áreas-chave, a Contest depende das ações de nível local para que tenha sucesso", diz o relatório. "As ações locais exigem uma gama de parceiros de vários setores, alguns deles novos na área de contra-terrorismo."

Entre eles estão as autoridades locais, o Serviço Nacional de Saúde e o departamento de bombeiros. A estratégia divide-se em quatro fatores - perseguir, prevenir, proteger e preparar. A prevenção, que envolve o trabalho com pessoas que podem ter sido recrutadas por grupos terroristas, é mais desenvolvida no nível local e recebeu uma verba de 140 milhões de libras esterlinas em 2008-2009.

No entanto, Hazel Blear, o secretário de comunidades, disse recentemente que um número excessivo de projetos encontra-se em uma "área de conforto", lidando com relações gerais da comunidade, em vez de abordar especificamente o problema da radicalização.

Os recursos para as polícias regionais aumentaram. Unidades de contra-terrorismo em Leeds, Manchester e Birmingham foram criadas e, juntamente com várias instalações menores de coleta de inteligência, recrutaram 300 novos agentes. Uma unidade de Thames Valley começará a operar neste ano.

O MI5, que coordena as atividades anti-terroristas, conta agora com agentes em todo o país e, até 2011, um quarto do seu contingente estará lotado fora de Londres.

Há também uma rede de 250 assessores de segurança contra-terrorista para ajudar os proprietários de instalações abertas para a população a minimizar os riscos de um ataque. Até agora 500 estádios esportivos, 600 shopping centers e 10 mil bares e clubes noturnos receberam assessoramento.

No entanto, enquanto a política metropolitana recebeu 176 milhões de libras esterlinas em verbas específicas para atividades contra-terroristas em 2008-2009, o resto da Inglaterra e o País de Gales contou com apenas 128 milhões de libras esterlinas. Fora da capital há menos policias armados de patrulha e uma menor quantidade de equipamentos de segurança visíveis, embora o governo diga que todas as principais estações de trem estejam equipadas com barreiras.

Tradução: UOL

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