Manifestantes georgianos exigem eleições

Isabel Gorst Em Tbilisi (Geórgia)

Mikheil Saakashvili, o presidente da Geórgia, jurou na sexta-feira (10) que permanecerá no cargo até o fim do seu mandato, desafiando dezenas de milhares de manifestantes contrários ao governo em Tbilisi.

O número de participantes da manifestação, que está no seu segundo dia, foi menor do que na quinta-feira, quando cerca de 65 mil georgianos reuniram-se defronte ao edifício do parlamento exigindo eleições antecipadas. Os manifestantes, em sua maioria georgianos de meia-idade e idosos, insistiram que protestarão até que Saakashvili renuncie.

O normalmente franco Saakashvili falou calmamente aos repórteres na sua residência, afirmando que a natureza pacífica dos protestos foram uma vitória para a democracia.

"O mundo está observando e nós provamos mais uma vez que a Geórgia é uma democracia europeia no conteúdo e na ação", afirmou o presidente.

"Nos últimos cinco anos, tenho enfrentado ultimatos como este a cada dois meses", acrescentou Saakashvili. "Bem-vindos à política georgiana. A Geórgia não é o único país com essa característica. Deve ser algo que tem a ver com o nosso temperamento". Um diálogo entre a oposição e o governo poderia gerar "resultados tangíveis", incluindo reformas constitucionais para ampliar o poder do parlamento.

Os manifestantes criticaram Saakashvili por não ter reduzido a pobreza e por haver deixado que os abusos dos direitos humanos persistissem, apesar de o presidente alegar que introduziu a democracia no país. Alguns poucos se dispuseram a criticar a maneira como ele conduziu a guerra com a Rússia em agosto do ano passado, quando a Geórgia perdeu o controle sobre cerca de 20% do seu território.

"Este é um protesto sério contra tudo o que está ocorrendo na Geórgia", disse um dos manifestantes, um artista chamado Nelly. "Saakashvili é um tirano. Ele deixou que o desemprego aumentasse e acabou com a independência do Judiciário".

Ao final do dia, os manifestantes dividiram-se em grupos e bloquearam as ruas que levam à rede central de televisão e à sede do governo presidencial.

O Ministério do Interior anunciou que ainda não tomou qualquer medida: "A nossa política é ainda de contenção máxima". Ele informou que consultou especialistas europeus em controle de multidões e enviou tropas policias de choque para os prédios administrativos e estratégicos de Tbilisi. A presença policial nas ruas foi mantida em um patamar mínimo para evitar incitar a ira dos manifestantes.

A oposição pareceu estar divida a respeito de como dar continuidade aos protestos. Kakha Kukava, líder do Partido Conservador, disse que a oposição lançará uma "campanha de desobediência civil" se as suas demandas não forem atendidas. Um porta-voz de Irakli Alasania, o líder da aliança oposicionista, prometeu que respeitará a lei.

Peter Semneby, representante da União Europeia no sul do Cáucaso, elogiou as autoridades e a oposição pela "moderação e por lidar com a manifestação de forma digna... os dois lados entendem o que está em jogo". "Essa manifestação poderá indicar o caminho para um diálogo profundo a respeito da maneira como este país é governado", disse ele após reunir-se com os líderes da oposição.

Tradução: UOL

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