Irã desafia os EUA e julga jornalista acusada de espionagem

Najmeh Bozorgmehr Em Teerã

O Poder Judiciário do Irã anunciou na terça-feira (14) que deu início ao julgamento de Roxana Saberi, uma jornalista iraniana-americana, que é acusada de praticar espionagem. Com isso o Irã desafia os pedidos de Washington pela libertação da jornalista.

Alireza Jamshidi, o porta-voz do Judiciário, disse à imprensa que "a primeira sessão do julgamento", por acusações de "espionagem para os Estados Unidos", foi realizada na última segunda-feira e que Saberi fez a sua "defesa final". O veredicto do julgamento, que está sendo realizado a portas fechadas, "será divulgado nas próximas semanas", acrescentou Jamshidi.

Saberi, 31, está detida na famosa prisão Evin desde a sua prisão em janeiro último. Ela vinha trabalhando para vários grupos de comunicação, incluindo a BBC, a National Public Radio e a Fox News, havia seis anos, ignorando uma proibição imposta às suas atividades jornalísticas no Irã em 2006. Ela também estava prestes a escrever um livro sobre o país.

O juiz encarregado do julgamento disse na semana passada que Saberi confessou ser culpada de praticar espionagem sob a fachada da atividade jornalística.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, manifestou a sua preocupação com o destino de Saberi e solicitou à Suíça, que representa os interesses dos Estados Unidos no Irã, que cuide do caso.

Jamshidi repeliu o fato de os Estados Unidos terem rejeitado as acusações contra a jornalista, afirmando que somente o advogado de Saberi está autorizado a acompanhar oficialmente o processo e defender a sua cliente. O advogado não estava disponível para fazer comentários.

A perseguição contra jornalistas no Irã não é um fato incomum. Na terça-feira, o jornal reformista "Sarmayeh" noticiou que 14 jornalistas foram presos no ano passado, e que cerca de 70 jornais foram submetidos a processos na justiça.

Porém, o fato de ter dupla cidadania - ela é cidadã dos Estados Unidos e do Irã - e de trabalhar sem autorização torna Saberi mais vulnerável às acusações de espionagem. Teerã não reconhece a dupla cidadania.

Alguns analistas acham suspeito o momento do julgamento, quando o governo de Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, tenta manter conversações com Teerã sobre questões regionais e o programa nuclear do país. Eles temem que Saberi possa ser usada por elementos radicais como um instrumento para dificultar qualquer negociação ou para assegurar uma vantagem nas discussões.

Nos últimos dois anos - desde que as tensões do Irã com o Ocidente, e em especial com os Estados Unidos, aumentaram devido aos programas nucleares e de mísseis do país -, pelo menos seis indivíduos de nacionalidade dupla foram presos e mais tarde libertados após passarem alguns meses na cadeia.

Os analistas consideram as prisões um ato de intimidação para assustar aqueles iranianos que têm vínculos com círculos estrangeiros. Segundo os analistas, há também o medo genuíno da ameaça representada para o regime pelas redes de interação políticas entre o Irã e o mundo exterior.

Segundo o código penal iraniano, a espionagem pode ser punida com a pena de morte. No ano passado a república islâmica executou um empresário iraniano acusado de espionar as forças armadas do país para Israel.

Tradução: UOL

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