Custo de vida no Reino Unido obriga mais homens jovens a morar com os pais

Andrew Taylor

A proporção de homens jovens que moram na casa dos pais está aumentando, e as mulheres jovens estão apresentando uma maior propensão a ter filhos do que de casar antes de completarem 25 anos.

O último relatório sobre a nação, publicado pelo Departamento de Estatísticas Nacionais do Reino Unido, revela um país com uma população crescente, mas que envelhece; uma nação que depende cada vez mais dos trabalhadores imigrantes, mas na qual há mais pessoas morando sozinhas e famílias que ainda lutam arduamente para arcar com os preços inflacionados da moradia, apesar do recente declínio do mercado imobiliário.

O relatório, referente a dados de 2007, mostra pela primeira vez que há mais indivíduos acima da idade oficial de aposentadoria do que pessoas com menos de 17 anos.

O preço da moradia aumentou entre três vezes e meia a sete vezes em relação aos rendimentos entre 1997 e 2007, segundo o Departamento de Estatísticas Nacionais. Como resultado, a riqueza domiciliar por pessoa mais do que dobrou de 1987 a 2007, principalmente devido ao aumento do preço da moradia.

No entanto, a renda domiciliar real também subiu, permitindo que as pessoas gastassem uma proporção maior dos seus rendimentos com computadores, telefones celulares e férias no exterior.

A dificuldade de obter a casa própria é um dos motivos pelos quais um número maior de jovens está vivendo mais tempo com os pais - em um estilo de vida mais típico dos cidadãos das nações do sul da Europa.

Segundo as autoridades, o fato de o número de estudantes que continuam estudando após a idade normal de deixar a escola ter dobrado para 3,6 milhões desde 1970 poderia também explicar por que mais jovens estão optando por morar com os pais.

Segundo o departamento, a proporção de homens de 20 a 34 anos de idade que moram na casa dos pais subiu no ano passado para 29%, ou 1,8 milhão. O número de mulheres da mesma faixa etária que moram com os pais aumentou para 1,1 milhão, ou 18%.

Mulheres jovens que foram questionadas a respeito de fatos que modificam o seu estilo de vida antes dos 25 anos revelaram uma maior propensão a ter um filho do que casar.

Apesar da população em crescimento, o número de casamentos na Inglaterra e no País de Gales caiu para 237 mil em 2006, o patamar mais baixo desde 1985. As mulheres estão também adiando a maternidade, tendo o primeiro bebê com a idade média de 27,5 anos. Em 1971 a idade média em que elas tinham o primeiro filho era de 23,7 anos. A proporção de britânicos que moram sozinhos, à medida que as pessoas vivem mais e os índices de divórcio aumentam, também dobrou durante o período, chegando a 12%.

Mas, apesar da queda dos índices de fertilidade, ainda há a previsão de que a população aumente dos atuais 61 milhões para mais de 69 milhões até 2026 - algo motivado em parte pela maior longevidade das pessoas, mas também pela imigração. Mais pessoas saíram do Reino Unido do que vieram para o país nas décadas de 1960 e 1970, mas essa tendência reverteu-se na década de 1990.

Em 2007, o número de imigrantes foi de 237 mil, o segundo maior nível já registrado.

Porém, a quantidade de pessoas que deseja vir para o Reino Unido poderá diminuir nos próximos anos, à medida que fica mais difícil encontrar empregos em meio à recessão que aflige o país.

No entanto, a população deverá continuar envelhecendo. Até 2026, cerca de 16,5 milhões de pessoas, ou quase 24% da população, serão mais velhas do que a atual idade oficial de aposentadoria.

Já o número de indivíduos com menos de 17 anos será de apenas 12,8 milhões, ou 18,5% da população do Reino Unido.

Tradução: UOL

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