Obama busca grande marco com orçamento antes dos cem dias

Por Edward Luce Em Washington (EUA)

O governo de Barack Obama pressionará o Congresso hoje para aprovar uma resolução orçamentária que permitiria ao presidente estabelecer um grande marco legislativo antes de completar seus primeiros cem dias de governo, na quarta-feira.

Às vésperas dos 100 dias

A Casa Branca, que menosprezava o evento jornalístico da marca dos cem dias, decidiu na sexta-feira nadar a favor da maré e anunciou que Obama dará uma entrevista coletiva no horário nobre amanhã à noite para celebrar seus primeiros cem dias.

A data, que se popularizou em 1933 com Franklin Delano Roosevelt, que pressionou mais do que qualquer outro presidente a aprovação de leis nos cem primeiros dias de governo, chega em um momento em que Obama sobe nas pesquisas de opinião com cerca de dois terços da população dos Estados Unidos aprovando a atuação do presidente no cargo.

Ao aprovar a resolução orçamentária - um documento interno do Capitólio que estabelece os parâmetros para o orçamento que será implantado este ano - o Congresso dá sinais de que pretende levar adiante a reforma do sistema de saúde, programa que é a assinatura do mandato e no qual o presidente baseou boa parte de sua campanha eleitoral.

Na semana passada, a Casa Branca ajudou a negociar no Capitólio um acordo que permitirá aos democratas ultrapassarem os republicanos e pressionarem a aprovação da reforma do sistema de saúde, usando o processo de "reconciliação" orçamentária para impedir qualquer obstrução legislativa da oposição. A manobra foi amplamente aplaudida pelos defensores da reforma da saúde, que temiam que Obama não tivesse estômago para uma briga contra os republicanos, que na maioria se opõem aos planos do presidente de fornecer um sistema de saúde alternativo administrado pelo governo.

A articulação foi criticada pelos republicanos. Para eles, ela expôs a fragilidade das aspirações bipartidárias de Obama. Segundo a negociação, os democratas partiriam para a reconciliação em 15 de outubro se um acordo bipartidário sobre a reforma de saúde não fosse alcançado. Esta também é a data limite para o Congresso aprovar o orçamento deste ano.

De acordo com o procedimento normal do Senado, é necessária uma maioria de 60 votos para impedir a obstrução da votação, e os democratas têm apenas 58 cadeiras. Mas as regras orçamentárias permitem que uma maioria simples de 51 votos aprove medidas que envolvam receita pública - uma descrição que, segundo os republicanos, não se adéqua aos os planos mais abrangentes da reforma da saúde de Obama.

Os críticos liberais do presidente ficaram encorajados com a manobra, que dizem ter mostrado que Obama está preparado para ir à luta para concretizar os pontos mais importantes de sua plataforma eleitoral.
Durante as últimas semanas, Obama permitiu que vários elementos essenciais de sua proposta de orçamento fossem descartados por democratas de centro.

Tradução: Eloise De Vylder

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