Uma terra de vento e sol - "mas sem regras apropriadas"

Guy Dinmore
Em Agrigento, na Sicília (Itália)

"A Itália é um país estranho, e a Sicília é um exemplo disso".

Salvatore Moncada, um empreiteiro siciliano que diversificou os seus negócios, entrando na área de produção de energia renovável, começa a entrevista descrevendo os enormes obstáculos que enfrenta ao fazer negócios na ilha, como a Cosa Nostra, a burocracia labirintiforme e a falta de transparência.

Apesar desses problemas, o seu Grupo de Energia Moncada tornou-se a maior companhia local de produção de eletricidade a partir da energia eólica - são cerca de 100 megawatts produzidos por cinco usinas eólicas -, desafiando o domínio de grandes multinacionais como a Enel, da Itália; a Eon, da Alemanha; e a International Power, do Reino Unido.

No entanto, ele é mais bem conhecido na ilha por desafiar o crime organizado ao ingressar em um movimento crescente de empresários que recusam-se a pagar o "pizzo" - o dinheiro oriundo da extorsão, que continua sendo uma fonte básica de renda para a Cosa Nostra, juntamente com o tráfico de drogas e os contratos governamentais.

Durante 18 meses Moncada recebeu proteção policial 24 horas por dia, mas atualmente ele acredita que o perigo passou. Quando seguimos de carro para uma fábrica que a Moncada está construindo perto de Camp Franco - para fabricar painéis solares usando tecnologia que comprou da Applied Materials, da Califórnia, por US$ 80 milhões (60 milhões de euros) -, eu pergunto a ele se o veículo de tração nas quatro rodas é blindado. "Não", responde Moncada, rindo. "Você está com medo?".

Ansioso por preservar a imagem da sua companhia como instituição sem vínculos com a Máfia, ele explica que também cancelou um projeto de usina eólica na região vizinha da Calábria, no continente, onde a máfia local, a 'Ndrangheta, teria infiltrado o setor de energia eólica como a Cosa Nostra fez na Sicília.

"Esta é uma terra difícil. É preciso ter uma vontade forte para seguir em frente. Por que eu faço isso? Porque a Sicília é a minha casa e os meus filhos cresceram aqui".

Falando no seu escritório na zona industrial de Agrigento, na costa sul da Sicília, Moncada explica que o seu problema mais imediato é o congelamento dos novos projetos de usinas eólicas na região, imposto pelo governo, e que resultou em um grande atraso dos seus cinco projetos propostos.

Moncada entrou com um processo judicial contra a medida, afirmando que a falta de transparência prejudicou os investimentos. Moncada diz que, segundo a lei italiana, ele deverá receber uma resposta às suas propostas para projetos dentro de 180 dias. Mas alguns projetos estão aguardando uma resposta há quatro anos.

"O sul possui vento e sol, mas não tem regras apropriadas", queixa-se Moncada.

Tradução: UOL

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