Medo da gripe suína faz turistas fugirem do litoral mexicano

Adam Thomson Em Cancún, México

Os hotéis do balneário litorâneo de Cancún, um dos mais populares do mundo, estão adotando medidas extremas enquanto os turistas correm para cancelar as reservas depois do alarme da gripe suína.

Aos visitantes do hotel The Royal está sendo oferecida uma "garantia contra a gripe": qualquer pessoa que contrair o vírus em 14 dias após a saída ganha três férias anuais grátis. Os descontos abundam em outros locais de Cancún.

A Bestday, uma agência mexicana baseada na internet, diz que quatro em cada cinco dos 31 mil quartos de hotel que ela monitora na cidade - e na costa da Riviera Maia, mais ao sul - estão vazios. O número era um em cada cinco antes do surto da gripe.

"Estou neste negócio há 26 anos e nunca vi nada parecido", disse Fernando García, dono de quatro hotéis locais. García diz que pelo menos 17 hotéis foram obrigados a fechar em Cancún e arredores, e a cidade está perdendo em média US$ 6 milhões por dia.

Quinze restaurantes fecharam em Cancún e na Riviera Maia, segundo Manuel García Jurado, dono de três restaurantes e um membro graduado da Canirac, a associação de restaurantes do México.

A menos que as coisas mudem rapidamente, ele prevê que dezenas poderão fechar. Isto apesar de o Estado de Quintana Roo, onde se situa Cancún, ter sofrido apenas levemente a gripe suína. Até agora houve apenas 11 casos confirmados da infecção.

O governo mexicano disse esta semana que o pior do vírus, que custou a vida de pelo menos 66 pessoas e infectou mais de 2.800 no país, já passou.

A publicidade negativa que o México recebeu nas últimas semanas teve consequências devastadoras para uma região que, em circunstâncias normais, atrai 3 milhões de turistas estrangeiros por ano e conta com o turismo para gerar 90% da atividade econômica.

Na firma de aluguel de jet skis Coral Beach, na extremidade norte da famosa faixa de hotéis de Cancún, a situação está ficando desesperadora. Um mês atrás, a firma empregava 14 pessoas, que vendiam de 30 a 40 passeios de meia hora por dia, a US$ 60 cada. Nas últimas duas semanas, porém, o movimento caiu para cerca de quatro ou cinco passeios por dia, e a equipe foi cortada para oito pessoas.

"O negócio morreu", diz Julio, o gerente. "Nós poderíamos oferecer descontos, mas não há para quem oferecer..."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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