Brasil e China estreitam laços

Jonathan Wheatley Em São Paulo

Os presidentes da China e do Brasil se reunirão esta noite durante uma missão brasileira a Pequim destinada a cimentar as relações cada vez mais próximas entre os dois países e assinar um pacote de acordos comerciais e financiamentos para a Petrobras no valor de US$ 10 bilhões.

O comércio entre os dois países cresceu rapidamente este ano, depois de uma forte desaceleração, enquanto a crise econômica global começava a se impor. Durante os primeiros quatro meses deste ano, a China tomou o lugar dos EUA como maior parceiro comercial do Brasil, enquanto a demanda chinesa por soja, minério de ferro e outros produtos brasileiros voltaram aos níveis anteriores à crise.

A missão começa oficialmente amanhã, mas os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Hu Jintao, da China, se reuniram informalmente durante o jantar ontem, depois do qual Lula descreveu Hu como "meu amigo", segundo um membro de sua equipe.

"Quantos outros chefes de Estado jantam com Hu Jintao duas vezes em dois dias?", disse o assessor, acrescentando que entre as reuniões do G8 do ano passado e deste ano, os presidentes se encontraram oito vezes. "As relações entre os dois países nunca estiveram melhores."

No entanto, líderes empresariais que acompanharam a visita se queixaram à imprensa brasileira recentemente de que a missão ficará aquém das expectativas iniciais. Na primeira visita de Lula à China, em 2004, ele foi acompanhado de oito ministros e cerca de 400 líderes empresariais. Nesta viagem o acompanham quatro ministros e uma delegação do setor privado de cerca de cem pessoas.

Guido Mantega, o ministro da Fazenda, e Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, deveriam viajar com Lula mas cancelaram na última hora, dizendo que tinham compromissos no Brasil. Celso Amorim, o ministro das Relações Exteriores, que acompanha Lula, disse que as notícias de que a missão foi reduzida porque ele não foi recebido por Hu antecipadamente não são verdadeiras.

Meirelles e o governador do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, deverão se reunir em breve para discutir questões "de suas áreas", disse o assessor presidencial. A reunião poderá marcar o início de negociações para montar um sistema pelo qual o Brasil e a China negociarão em suas próprias moedas, em vez do dólar americano.

O Brasil assinou recentemente um acordo semelhante com a Argentina. O assessor disse que alcançar esse acordo com a China seria um longo processo, mas que vontade política claramente existe. "Algo que teria sido impensável dez anos atrás é uma possibilidade real hoje", ele disse. O acordo foi mencionado pela primeira vez na cúpula do G20 em Londres no mês passado.

Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, que também acompanha Lula, deverá anunciar hoje a assinatura de um pacote de empréstimos de US$ 10 bilhões divulgado em fevereiro. Outras questões sobre a mesa incluem a remoção das barreiras para a exportação de carnes processadas brasileiras, acordos entre os bancos de desenvolvimento brasileiro e chinês e bancos comerciais brasileiros, e um plano para lançar um terceiro satélite sino-brasileiro.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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