"Twittergate" causa furor em Berlim ao antecipar resultado de eleição

Chris Bryant e Bertrand Benoit, em Berlim Tim Bradshaw, em Londres

Já está sendo chamado de "Twittergate". A mania da comunicação na internet que varreu o mundo causou furor político na Alemanha, onde os parlamentares mais velhos lançarão hoje uma investigação contra deputados que romperam décadas de tradição e vazaram notícias sobre a reeleição do presidente.

A investigação, que já levou um deputado a renunciar de um cargo no Parlamento, salienta a rápida disseminação dos "tweets" de 140 caracteres que estão ganhando popularidade em um ritmo mais rápido do que o site de rede social Facebook.

Os usuários do Twitter cresceram de 1,6 milhão para 32 milhões em todo o mundo no último ano, segundo a firma de pesquisas Comscore.

A notícia de que Hörst Köhler tinha sido reeleito presidente da Alemanha no sábado (23) foi publicada no serviço de microblog quase 15 minutos antes de o resultado oficial ser anunciado.

Julia Klöckner, da CDU da chanceler Angela Merkel, disse a seus "seguidores" do Twitter naquela tarde: "Pessoal, vocês podem assistir o futebol em paz. A votação foi um sucesso".

Mais tarde ela pediu desculpas pelo "momento um tanto prematuro" da mensagem.

Ulrich Kelber, do SPD, foi ainda mais específico, colocando prematuramente o resultado da contagem de votos em seu microblog: "A contagem está confirmada: 613 votos. Köhler foi eleito".

Os social-democratas, cujo candidato à presidência fracassou, foram inicialmente criticados pelos vazamentos no Twitter. Mas tanto o SPD quanto a CDU desde então minimizaram a questão.

Embora o vencedor não tenha sido surpresa, a quebra do protocolo perturbou os membros mais tarimbados do Parlamento.

Os parlamentares idosos, guardiões máximos da conduta legislativa adequada, deverão se reunir hoje para discutir o Twittergate.

Críticos insistem que somente o presidente do Bundestag tem o direito constitucional de declarar um novo chefe de Estado. Ele habitualmente usa mais que os 140 caracteres permitidos em um tweet.

"Eu não tenho absolutamente simpatia por coisas desse tipo, porque vão acabar minando a dignidade do Parlamento", disse Peter Ramsauer, diretor da bancada do CSU no Parlamento.

Susanne Kastner, vice-presidente da Câmara e social-democrata, lamentou o incidente. "Mas infelizmente não se pode proibir o Twitter no Parlamento", ela disse. Outros notaram que o tédio pode ser um fator atenuante para os twitters culpados - por causa das três recontagens.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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