Primeiro-ministro britânico em dificuldades luta para manter a influência internacional

Alex Barker, em Londres; Ben Hall, em Paris; e Guy Dinmore, em Roma

Gordon Brown está lutando para manter a força diplomática do Reino Unido, enquanto os líderes mundiais ajustam sua abordagem a um governo e a um primeiro-ministro em dificuldades.

Os diplomatas dizem que as dificuldades enfrentadas pelo governo trabalhista estão promovendo mudanças pequenas mas significativas nas relações com o Reino Unido, variando de que assuntos são discutidos até se Brown deve ser convidado às reuniões.

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  • AFP

    Ministro da Defesa do Reino Unido, John Hutton (dir.), apresentou nesta sexta-feira (5) sua renúncia, tornando-se o quarto membro do Governo trabalhista de Gordon Brown (esq.) a deixar o cargo nos últimos dias

Um exemplo da perda de influência internacional do Reino Unido estará em plena exibição na Normandia no sábado, onde Brown estará presente no 65º aniversário dos desembarques do Dia D. O primeiro-ministro até recentemente tinha esperança de participar do encontro entre Nicolas Sarkozy, o presidente da França, e Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, em Caen.

Mas Sarkozy, que se esforçou arduamente para assegurar a visita do líder americano, rejeitou o pedido britânico, segundo funcionários do governo. O líder francês não tinha intenção de dividir os holofotes com Brown.

Os funcionários do governo britânico dizem que a prioridade do primeiro-ministro sempre foi comparecer aos eventos dos veteranos.

As preocupações com o papel do Reino Unido no palco mundial foram manifestadas nesta semana por Franco Frattini, o ministro das Relações Exteriores da Itália, que disse que o governo Brown estava enfrentando um "colapso".

"O governo britânico está cooperando apesar de estar enfrentando problemas domésticos difíceis devido ao risco de colapso", ele disse ao "Financial Times". "Este é um momento difícil para Gordon Brown."

Apesar dos problemas enfrentados por Brown, a influência do Reino Unido ainda é forte em algumas áreas. No auge da crise em seu governo, na quinta-feira, Brown pediu para falar com Obama sem notificação prévia. O pedido foi aceito.

Os diplomatas também expressaram alívio na sexta-feira com o fato de David Miliband e Alistair Darling permanecerem como ministro das Relações Exteriores e ministro das Finanças, respectivamente. "Eles são respeitados", disse uma autoridade ocidental. "Ninguém desejava um recomeço."

Todavia, a expectativa de que o Partido Trabalhista não conseguirá conquistar um novo mandato nas próximas eleições gerais britânicas está tendo um impacto. O Reino Unido é visto como menos capaz de se comprometer com propostas controversas de longo prazo. "Eu não acho que as pessoas veem Brown como um investimento de longo prazo", disse um diplomata.

Um teste-chave será ver se o Reino Unido conseguirá despontar de forma favorável nas negociações da composição da próxima Comissão Europeia. Alemanha, França e Reino Unido estão em uma disputa de força pela indicação de seus candidatos aos principais cargos econômicos.

Algumas autoridades em Bruxelas também dizem estar "assustadas" com a possibilidade de uma vitória conservadora nas eleições poder colocar em risco as chances de ratificação plena do tratado de Lisboa. O partido prometeu realizar um referendo caso fosse eleito, antes de todos os 27 países membros ratificarem o tratado.

O episódio da Normandia é um exemplo de como Brown perdeu prestígio em Paris desde o início do ano. Apesar dos diplomatas insistirem que os dois líderes gostam de trabalhar juntos, Sarkozy ficou frustrado com a percepção de que o primeiro-ministro estaria se esquivando da regulamentação financeira antes da Cúpula do G20 em Londres, em abril. O Palácio do Eliseu ficou irritado com os sinais ambíguos de Londres em relação ao endurecimento regulatório. As autoridades temem que um Brown debilitado tenha revertido para a posição britânica convencional de defesa da City de Londres a todo custo. Há um risco de choque entre os dois líderes em torno dos planos para harmonização da supervisão financeira na Europa, no encontro de cúpula da União Europeia, no final deste mês. Grupos empresariais expressaram privativamente preocupação de que o Reino Unido fique em desvantagem devido à perda de influência do primeiro-ministro.

Enquanto no ano passado Sarkozy elogiava os esforços de Brown para evitar a crise bancária e repreendia a inação da chanceler alemã Angela Merkel, ele agora mudou suas afeições.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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