Morte de Michael Jackson provoca corrida por seus discos

Andrew Edgecliffe-Johnson

O súbito salto no interesse pela música e pela história de Michael Jackson está forçando as pessoas em torno dele a revisarem sua avaliação inicial que seus bens poderiam ser superados pelas dívidas ligadas a eles.

  • Reuters
O site da Amazon.com vendeu tantos discos de Michael Jackson nas 24 horas após sua morte quanto nos 11 anos anteriores, e a HMV disse ontem que suas lojas de música tinham visto um salto de 80 vezes nas vendas de suas gravações.

A Billboard anunciou ontem que as vendas de seus discos subiram dez vezes e estimou que talvez Michael apareça em nove dos 10 mais vendidos quando a Nielsen Soundscan confirmar os números de vendas hoje.

A resposta superou os aumentos das vendas depois da morte de Elvis Presley e de John Lennon, segundo a HMV. O fato que grande parte da música está sendo vendida online também significa que as margens de lucros para os proprietários de direitos devem ser mais altos do que na era do vinil.

Apesar de morrer com dívidas estimadas entre US$ 400 e US$ 500 milhões (entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão), o valor de muitos bens de Michael Jackson foram transformados por sua morte, de acordo com executivos da indústria, advogados e antigos assessores.

Eles advertiram, porém, que as experiências com heranças de outros músicos indicam que a extensão de seu ganho futuro vai depender das decisões tomadas pelos familiares e sócios nas próximas semanas. O controle do espólio de Jackson continua incerto, com uns dizendo que ele morreu sem um testamento válido conflitando com outros que dizem que um testamento de 2002 talvez seja apresentado nesta semana, deixando seus bens para os filhos, a mãe e algumas obras de caridade.

"Você tem que nomear alguém para ficar a cargo disso, um depositário", disse J. Duross O'Bryan, contador forense e diretor da Alix Partners que examinou as finanças de Jackson para a promotoria de Santa Barbara durante seu julgamento por molestamento infantil em 2005.

Na época, Jackson tinha "pouco ou nenhum dinheiro vivo, segundo os documentos que vimos", disse O'Bryan.

"Ele gastava tanto naquela altura que teve que pegar vários adiantamentos da Sony", sua sócia na Sony ATV, que é proprietária da maior parte dos maiores sucessos dos Beatles, disse O'Bryan.

Um porta-voz da Sony ATV não quis comentar.

Vários executivos da indústria estimaram que os 50% de Jackson na empresa, avaliados entre US$ 500 milhões até US$ 1 bilhão, valem muito mais do que os US$ 300 milhões de empréstimo assegurados pela Barclays.

O braço musical da Sony lida com as vendas dos discos de Michael Jackson e vem produzindo mais CDs para atender a demanda.

O segundo maior bem de Michael, o catálogo Mijac que controla os direitos de publicação de suas gravações, terá grande benefício de sua volta ao topo das paradas. Antes de sua morte, a Mijac licenciou algumas músicas para videogames como o Guitar Hero da Activision.

De acordo com um executivo que as ouviu, Jackson vinha trabalhando em novas músicas com um produtor chamado RedOne.

A AEG Live não quis comentar as informações da mídia sugerindo que lançaria um DVD com uma gravação dos ensaios para as 50 noites programadas de apresentações de Michael Jackson na O2 Arena em Londres. Sua morte também transformou o potencial de Neverland, a propriedade de 2.600 em Santa Barbara que foi um dos maiores pesos sobre a renda do artista. Antes de sair de lá, em 2006, ele mantinha cerca de 50 carros e mais de 100 empregados na propriedade.

A Colony Capital, que salvou Neverland de um arresto no ano passado formando uma joint venture com Jackson para reativar a propriedade dilapidada, não comentou seus planos. Advogados da indústria dizem, porém, que seria bom ideia estudarem o modelo usado na propriedade de Elvis Presley.

Presley morreu em circunstâncias financeiras similares, mas sua família concordou em abrir para o público sua casa, Graceland, e manter uma rédea curta sobre o uso de sua imagem. Isso valorizou sua herança. A CKX, proprietária de 85% da herança de Presley, gerou lucro de US$ 16,7 milhões no ano passado, antes de depreciação, amortização e impostos, sobre renda de US$ 54,9 milhões.

Tom Barrack, diretor executivo da Colony, disse antes da morte de Jackson que o valor de Neverland poderia estar entre US$ 70 e US$ 90 milhões. Em uma declaração em seu site na sexta-feira, ele admitiu que há um crescente interesse do público no local.

"Neverland agora é um santuário mítico de Michael, e vamos fazer nosso melhor para acomodar as multidões de fãs e repórteres globais que aqui chegam para expressar seu pesar", disse ele.

Isso talvez seja impossível sem a cooperação dos herdeiros de Michael, segundo as pessoas que trabalharam com a família.

Tradução: Deborah Weinberg

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